quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Política Local

A política local sofre de dois problemas. Sendo o mais grave, a recusa total do pensamento -manifestado no que a turba debita- e a sua consequência, a incapacidade de gerar uma nova abordagem a velhos temas -manifestado no que a turba faz.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Conterraneidade

Mulheres Portuguesas na América, conta com a participação de Benedita Pereira. Repito: Benedita Pereira. E o Secretário de Estado José Cesário não avisa os amigos? Conterraneidade is thicker than water, o tanas!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Da Tribuna


1. Dias calmos na cidade. Fernando Ruas já tem sucessor nomeado. Em breve terá lugar, com honras de município, a tomada de posse. O que devemos esperar do herdeiro? A minha expectativa é relativamente modesta. Do eleito, cumprindo um programa de governo minimalista, apenas espero: honestidade intelectual; honradez pessoal; profundo conhecimento da realidade local; discurso directo e claro; autonomia, relativamente ao partido; intransigência na defesa dos direitos do concelho; aposta numa cultura de meritocracia. O seu programa deverá ser cumprido, sem grandes dramas ou traumas, atribuindo particular atenção entre outros aspectos à: atracção de investimento [oferta de emprego precisa-se]; dinamização do centro histórico [ponto obrigatório e multidisciplinar]; Feira de São Mateus como agente económico e cultural da região; solidariedade social; posicionamento de Viseu a nível nacional - Viseu como sinónimo reforçado de qualidade de vida; diversificação da oferta cultural; requalificação de espaços verdes [rotundas não contam]; aposta no desporto amador e escolar; capacidade de reforçar Viseu como destino turístico.

2. Caro leitor, basta um pequeno passeio pelas ruas de Viseu e somos confrontados com a dura realidade. A cada três ou quatro portas, mais um estabelecimento comercial fechado. Não ignorando a crise a que governos de cariz despesista, e com sérias dificuldades em admitir a realidade, bem como crédito pessoal facilitado, nos conduziram. Não estará na altura do poder local assumir este problema como prioritário? Na Praça da República, o novo senhor do lugar parece entender a necessidade desenvolver um plano integrado que dinamize o comércio local? Segundo o próprio, e ao que tudo indica, sim. Também é entendida a premência em facilitar a aproximação entre produtores, distribuidores e consumidores locais, no centro histórico bem como noutros espaços públicos? Se sim, menos mal. Não tomem este como um discurso de um perigoso radical de esquerda, longe disso. Todavia, qualquer conservador entenderá que a massificação em nome de economias de escala apenas terá como resultado a destruição de antigas relações comerciais locais. Com elas perdemos igualmente o nosso elemento diferenciador. Do centro histórico, em breve, apenas teremos ruínas de um passado não muito distante. No fim, em nome de uma falsa modernidade, o que restará? Centros comerciais cheios de gente pomposa mas irremediavelmente desenraizada, bem como uma cidade e um povo descaracterizados e sem identidade. É para aí que queremos ir? Não creio. É para aí que seremos conduzidos? Nos próximos quatro anos teremos a resposta.

3. Por norma, é na juventude que se cultiva uma terna sinceridade; que se dispensa a hipocrisia da vida adulta; e que se desenvolve um espírito voluntarista, nunca deixando de lado a coisa pública com uma visão positiva do mundo. Até a rebelde inquietude desta juventude é doce. Mas existe uma segunda juventude. Uma juventude soturna que parece ter 60 anos. Tal como os "velhos", ou influenciados por estes, percepcionam o mundo a preto e branco. Sem discriminação, dividem tudo entre um "nós" virtuoso e um "eles" causador de todas as iniquidades. Esta juventude, se deixada no infantário por sua conta, não se sabe comportar. Sem adultos por perto, começam a birra e puxam do tiranete interno para lançar o caos e a choradeira. Se ser jota é entrar nestas guerras, então o futuro partidário será negro e com cheiro a caciquismo dos anos 80. Os partidos precisam da primeira juventude, a segunda já é bem representada em instituições para ex-jotas. Serve este texto para recordar que a Juventude Socialista de Viseu, em breve, vai ter eleições. Aos candidatos e sua entourage o meu: “Alegra-te, jovem, na tua juventude”.

In: Jornal do Centro 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Malha do Alves

O ilustre Alexandre entende que o iluminado deputado Pedro Alves não percebe patavina de dialéctica. Paris Hilton, também não domina tal conceito e com isso não vem mal ao mundo. A menina Hilton, tal como o deputado, e esta Tribuna são filhos do pós-modernismo, isto tem algum peso. Como tudo o que é pós-moderno, sabemos que Hegel só serviu para lançar confusão [a teoria deste marmanjo espatifou a vida, bem como meia dúzia de poemas, a Baudelaire], também é sabido que a treta da Aufhebung e da dialéctica foi metida no saco, em 1943 [consultar: Sartre Vs Bataille], é nesta época que partimos do moderno para o pós-moderno. Ora o deputado em questão, muito provavelmente, será capaz de recitar [de trás para a frente] a obra "Un nouveau mystique" ao mesmo tempo que desenvolve mais um tomo dos seus estudos sobre "Personalismo em Sá Carneiro". Portanto, dêem uma abébia ao homem. Não é todos os dias que um deputado, tal como Bataille, se propõe a substituir a dialéctica pela tragédia. Caro Pedro, como eu o entendo, ser intelectual num mundo dominado por bárbaros não é tarefa fácil.  

Nota: Por mera questão de probabilidades, não são permitidas apostas sobre se o deputado entendeu ou não o conteúdo deste post. 

A Malha do Simão

O Vitor é candidato à jota. Não sou adepto de jotas. Posto isto, muita saúdinha a todos.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Léxico

"Sinestesia
Sinestesia é aquela palavra que explica, por intermédio dos exageros mímicos do Douglas Fairbanks, que o cinema nunca foi mudo, a audiência é que foi surda.

Priapismo
Priapismo é o mal de quem satisfaz apenas os prazeres intelectuais. Tem um esquema matemático simples: estado vertical de quem se recusa a ler na diagonal, detraindo o tempo do mambo horizontal.

Solilóquio
O solilóquio é o monólogo dos pobres. Nem sempre as partes envolvidas estão de acordo. Dizem os antigos que cura o pernosticismo.

Ínclito
Ínclito é o que chamaria a um qualquer preclaro. Mas se um preclaro fosse um qualquer, não seria ínclito.

Metacronismo
A primeira vez que escrevi a palavra metacronismo foi amanhã de manhã.

Consorte
O consorte era quem mais tinha motivos para falar agora e se calou para sempre. A palavra con+sorte só pode ser uma piada cruel."

domingo, 6 de outubro de 2013

A Tribuna

A Tribuna no FB conta com 199 likes. Deste modo, ofereço jantar à luz das velas ao seguidor nº 200*.

*Promoção válida apenas para senhoras que trajem biquíni na respectiva foto de perfil. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Olho de Gato

Resposta ao ponto 2. Na Guarda, a concelhia local do PS demitiu-se após o mau resultado do último Domingo. Em Viseu, tendo em conta que Junqueiro - que deve assumir o cargo de vereador até ao último dia- não era o candidato da concelhia socialista, apesar do mau resultado, não parece existir a necessidade de tirar conclusões políticas. Faz sentido. 

Da Tribuna [Jornal do Centro]



1. Chegou o Outono, as eleições passaram, Fernando Ruas tem substituto indigitado. Por mérito próprio, e não devemos ser ingratos, Fernando Ruas tem um lugar de destaque nos compêndios de história contemporânea de Viseu. O autarca social-democrata exerceu o poder durante quase duas décadas e meia, fruto de resultados eleitorais inequívocos. Não é brincadeira, meus senhores. No entanto, podemos dividir este período em duas partes distintas. 1ª Fase: 1989-2001 “Os anos dourados”. 2ª Fase: 2001-2013 “Os anos do ocaso”. Se no primeiro período -que, com alguma benevolência, admito que possa ser estendido até 2004- Fernando Ruas cumpriu, com louvor, o modelo autárquico em voga; no segundo período não foi capaz de concretizar “O grande salto em frente” – Mao chamar-lhe-ia a revolução cultural. Mas ao eleger Fernando Ruas, o povo, com a astúcia própria de um H. Kissinger, não desejava um grande, ou mesmo pequeno, revolucionário. O povo sabe que o futuro chega com calma. Do seu líder, apenas esperava uma figura que desse garantias que a vida seguia o seu rumo, sem grandes equívocos ou sobressaltos. O povo é soberano e esclarecido. Não há volta a dar meus caros. Em fim de época, e sem a certeza que não surja uma terceira fase, é importante reter que Ruas nunca foi derrotado nas urnas e tendo em conta o resultado do último fim-de-semana – o PSD, em 2009, obteve 62 % dos votos, contra apenas 46% em 2013-, mesmo sem ir a jogo, o valor eleitoral de Ruas sai reforçado. Não haja equívocos, como disse, o mérito é todo de Fernando Ruas. 
  
2. Nestas autárquicas, Hélder Amaral foi eleito vereador, com 9,54% dos votos, recordo que entre votos brancos e nulos registaram-se 9,62%. Não tendo, os votos de quem optou por votar branco ou nulo, menos valor do que, por exemplo, os que ajudaram a eleger António Almeida Henriques ou mesmo José Junqueiro, estes também deveriam estar de algum modo representados no executivo camarário. Estando perante um elevado número de Viseenses que decidiram despender o seu tempo, de modo a mostrar aos candidatos que não acreditam em nenhuma das opções apresentadas, um lugar vazio no executivo – de todos menos o do incontornável Guilherme Almeida, please!- seria a melhor forma de representação que poderia ser atribuída a este verdadeiro voto de protesto. A ser implementada esta medida, corríamos o sério risco de muito em breve o executivo ser integralmente composto por cadeiras vazias; o que seria uma lição, não apenas para os partidos e candidatos não-eleitos, como também para todos os que se demitem da sua participação cívica, deixando terreno livre para os suspeitos do costume fazerem da partidocracia a sua sala de estar.   
  
3. Dois breves apontamentos para os recém-eleitos. Em primeiro lugar, não desertem e cumpram os mandatos com o empenho e dedicação devidos. Em segundo lugar, as sábias palavras de Enoch Powell: “For a politician to complain about the press is like a ship’s captain complaining about the sea” i.e.: No que toca à imprensa, não sejam piegas.