quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Festa da Democracia

As autárquicas são a festa da democracia. Não sendo um grande entusiasta de festas ou de listas, perdoem, então, a minha manifesta falta de entusiasmo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Na semana em que não devemos ser idiotas

"Victor Frankl descrevia o fanático por dois traços essenciais: a absorção da individualidade na ideologia coletiva e o desprezo pela individualidade alheia. “Individualidade” é a combinação singular de fatores que faz de cada ser humano um exemplar único e insubstituível. Há individualidades mais e menos diferenciadas. Quanto mais diferenciadas, menos podem ser reduzidas a tipicidades gerais e mais requerem a intuição compreensiva da sua fórmula pessoal. Isto se observa, mais nitidamente, na obra dos grandes artistas e filósofos, para não falar dos santos e profetas. É só de maneira parcial e deficiente que a personalidade criadora se enquadra em categorias gerais como “estilo de época”, “ideologia de classe” etc., que os cientistas sociais inventaram para falar de médias humanas indistintas, mas que o estudioso medíocre insiste em aplicar como camisas de força a tudo o que vá além da média. Nessa insistência já se manifesta, em forma disfarçada e socialmente prestigiosa, o fanatismo definido por Frankl. Boa parte da “ciência social” de hoje não é senão o recorte das individualidades segundo a medida da mediocridade-padrão.

Fernando Ruas


Até à próxima meu caro. Até 2017!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A inveja é uma coisa feia*

Junqueiro: - "Vai uma garrafa de vinho?"
M.F: - "Não bebo."
Junqueiro:- "Mel?"
M.F: - "Diabetes na família."
Junqueiro: - "Uma garrafinha de azeite? 
M.F: - "Só como comida processada."
Junqueiro: - "Um voto?"
M.F: - "Sou eleitor não praticante."

* Adaptado da peça: "Má inveja feia".

Da Tribuna [Jornal do Centro]



1.       Não há eleições sem sondagens, tal como não há bruxas sem bolas de cristal.” Era mais ou menos assim que, às 08h, de um Outono de 2007, que começava mais uma aula de Estudos Eleitorais. Chego a 2013 e confirmo, a academia não anda a dormir. Mais umas eleições, mais umas sondagens, mais uma visita à Maya -caro leitor, nunca negue à partida uma ciência que desconhece. A última sondagem atribui 48% a Almeida Henriques; 35,8% a  José Junqueiro; 7% a Hélder Amaral; 3,5% à Manuela Antunes; e 2,6% a Francisco Almeida. Calma meus caros, moderem o vosso entusiasmo. Não há vencedores antecipados. Em relação às sondagens, não sendo crente também não sou agnóstico. Uma sondagem é um estudo estatístico que, pela sua própria natureza, mesmo ponderando as mais diversas variáveis, será sempre incerto. Arrisco afirmar que, por vezes, é ténue a linha que separa algumas sondagens das previsões do falecido polvo Paul [2008-2010; como a vida pode ser curta para um cefalópode]. Em noites eleitorais grandes vencedores deram miseráveis derrotados e derrotados da vida emergiram estadistas. Agora, vamos entrar na cadeira de história. Convido-vos a recuar um pouco no tempo e a viajar umas milhas: Segundo a Eurosondagem, nas eleições presidenciais de 2006, Mário Soares tinha larga vantagem sobre Manuel Alegre, e o resultado…; não quero ser picuinhas mas também recordo Rui Rio versus Fernando Gomes, 2001; como não recordar Paulo Rangel frente a Vital Moreira nas eleições Europeias; agora, vamos mais longe, vamos saltar fronteiras e viajar até 1992, no Reino Unido, quando os conservadores ganharam com um avanço sobre os trabalhistas – os vencedores segundo os “estudos de opinião”. A falha essencial das sondagens reside na diferença entre a intenção [de voto] e a acção [votar efectivamente]. A separar uma da outra pode estar um oceano de razões.

2.    Há algo intrigante no sloganCompromisso com Viseu”. Alguém, provavelmente um realista, disse que um bom compromisso é aquele em que ambas as partes ficam descontentes. Esse alguém, hipoteticamente, estaria a falar de relações amorosas ou de uma mera transacção comercial. Acontece que, por diversas ordens de razão, às eleições não devemos associar o mesmo tipo de características que atribuímos às relações ou a transacções comerciais. Relativamente ao discurso político, fartos que estamos de gato por lebre, devemos exigir mais, devemos esmiuçar as palavras de modo a evitar quaisquer equívocos. Sendo este compromisso o suficientemente vago para significar muito ou não significar nada, lá fui ao dicionário. Para quem não conhece, o dicionário, é uma obra recomendável que, sem fazer juízos de valor, salta, sem delongas, directamente para as conclusões –nada precipitadas- então um compromisso é: “uma forma de criar um vínculo ou de assumir uma obrigação com alguém, com um objectivo”. Volto ao mesmo ponto, enquanto slogan político, compromisso, continua a parecer-me vago. Porém, no último domingo, as dúvidas foram afastadas e ficou definido o nível de comprometimento de Hélder Amaral: Caso seja eleito assume o lugar. Assunto esclarecido. Resta esperar que José Junqueiro, sem engulhos de Miguel Ginestal 09, assuma o mesmo tipo de compromisso com o eleitorado [socialista e não socialista] e com a cidade. Caro José Junqueiro – agora, escrevo directamente para o meu amigo-, o sloganSó desisto se for eleito” apenas parece resultar com o candidato Vieira e Viseu merece ser esclarecida antes de uma ida às urnas. Não acha?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Da Tribuna [Jornal do Centro]


1.       Fernando Ruas, o estimado Presidente do Município, em vésperas de deixar o lugar, teve uma atitude sob todos os prismas democraticamente saudável, abriu as portas da autarquia e apresentou as contas à comunicação social. Num registo pouco comum entre as autarquias nacionais, segundo as contas apresentadas, o município apresenta bastante saúde financeira sendo que para o próximo executivo este tema será um mal menor. Ter saldo positivo é bom? Sim, não há outra resposta. Numa altura de aperto financeiro, até como exemplo, é um sinal positivo. Portanto, Fernando Ruas está de parabéns? Bem, esta não é uma resposta de sim ou não. A minha geração, apenas através dos avós, recorda a política dos cofres cheios de ouro e uma sardinha para quatro, de 73 e isso é bom. A gestão, pertencendo à esfera  das ciências sociais, será sempre alvo de discussão e encerra infinitas possibilidades. Será sempre boa ou má de acordo com o lado do cofre em que nos encontramos. A pergunta que como contribuintes podemos fazer é: Será o objectivo final, da gestão autárquica, gerar lucro para aplicar num banco? A essa pergunta, que vale a simpática quantia de um milhão duzentos e vinte e quatro mil novecentos e cinquenta e três euros e vinte e quatro cêntimos desaparecida no BPP, a resposta mais correcta será, um indeciso, talvez. Se aplicamos o saldo no banco como alternativa a desbaratar em rotundas, funiculares, pilaretes e asfaltar o projecto de um Centro de Artes e Espetáculos, é boa gestão; nada contra. No entanto, se temos saldo positivo e ao mesmo tempo corporações de bombeiros em dificuldades, um rio poluído, uma má rede de transportes urbanos, problemas de saneamento em algumas aldeias, miséria flagrante às portas da melhor cidade para viver e assistimos à atribuição de subsídios sem critério ou distinção aparente, é má gestão; nada a favor. Para a saúde do próximo executivo um mal menor pode vir a ser muito.


2.       Na semana anterior, num jornal nacional, os viseenses foram considerados campónios iletrados. A população, e bem, optou por barafustar ou desvalorizar. A candidatura de Almeida Henriques, ao contrário das restantes que optaram por ignorar, advertiu o director do órgão de comunicação. Seria positivo se a última frase fosse uma caricatura, mas corresponde, tal como a “súcia do piropo”, ao avanço generalizado de uma visão restritiva das liberdades. Neste ponto, assistimos a uma estranha aliança entre reaccionários e progressistas. Aqui, encontramos gente que até defende a liberdade de expressão, logo que esta adopte um conjunto de regras. Regras que em última análise a limitam, claro está. Há muita opinião e insulto escrito que devem ser rebatidas, no primeiro caso, e processados, no segundo caso. Mas, se a liberdade de expressão está em causa, os democratas, mesmo que alvo de ofensas, assumem a única posição válida, a sua defesa. Considero o artigo de mau gosto, mas, caro Almeida Henriques, não desejo viver numa cidade em que apenas possa ser reproduzido o que é “simpático” para nós. Fazer boa cara à selva que é a vida em sociedade é o primeiro passo para a vida democrática. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Viseu 90's



Em meados da década de 90, num muro cinzento e sem graça, perto de minha casa, alguém escreveu em letras garrafais: VIOLENT FEMMES. Para um teen é reconfortante saber que na vizinhança o vandalismo é esclarecido. 

Junqueiro vintage


José Junqueiro é rei na campanha da contagem de espingardas. Avisem o candidato que 2013 não é bem 1994 e que a malta já não tem pachorra! 

Dos leitores

Tenho recebido mails (contacto à direita) de vários leitores, infelizmente o meu tempo de resposta é longo. Mas leio, tento responder a todos e tenho a oportunidade de conhecer gente simpática. Sabendo que não aprendem nada comigo, agradeço a bonomia e lamento a demora. A culpa não é vossa, não desistam, meus caros, não desistam! 

Late Night

F€rnando Rua$

                                               

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Guilherme com Olho de Gato

Concordo com quase tudo. O brinde -tipo Kinder Surpresa-, do ponto que procuro defender, está no quase e aplica-se unicamente à candidatura de Almeida Henriques. Se não tenho nada contra a adorável Ana Paula Santana, tenho tudo a favor do inequívoco Guilherme Almeida -líder de audiência incontestado deste blog, aplausos para ele. Guilherme Almeida, se a política local fosse arte, era um Van Goh em bruto, aquele que de quem nunca sabemos o que esperar, numa lista de Dalis que, como sabemos, apesar de esforçados, são uma seca monumental. Sem Fernando Ruas, Guilherme Almeida, apesar de tudo, ou melhor, por tudo o que representa é o derradeiro agregador de votos. Só um PSD verdadeiramente novo e enxuto teria a coragem de colocar Ana Paula Santana à frente de Guilherme Almeida. Mas não era a mesma coisa, pois não?  

domingo, 1 de setembro de 2013

Domingo


Dia de louvar a Criação, porque o Diabo está nos detalhes.

Fraude

Terminei a minha biografia, sob condições adversas a qualquer tipo de decência ética, sombria, cheia de rasuras e plena de lacunas. Depois da revisão chego à conclusão que se sujeito a eleições dificilmente votaria em mim. Uma fraude de mim mesmo, portanto.