quinta-feira, 28 de março de 2013

A Guerra Interior


Se há guerra que vale a pena não perder é a interior. A não perder, dia 6 de Abril, no Seminário Maior de Viseu.

Fim de Época; LdC; CDS [Jornal do Centro]




1.      Esta cidade não é para jovens: Aparento uma falsa juventude. Falsa na medida em que já carrego um acervo considerável de memórias-fantasma desta cidade. Apesar de Viseu não ter passado por nenhuma guerra ou catástrofe natural, são demasiados os sítios que apenas sobrevivem na minha memória e, para desgosto meu, muitos dos fragmentos que restam não passam de imprecisas imagens recolhidas na infância. O meu saudosismo sub-trinta tem por base uma “imagem-relâmpago” do Conde Barão; uma ténue recordação dos vultos que ocupavam o Mercado 1 de Maio; os brinquedos na Casa da Boneca; as tendas da feira semanal abertas no Campo de Viriato; a extinta confusão dos dias da semana na Rua Direita e Rua Formosa a transbordar de vida, de negócio e de esperança; os legumes que a minha avó comprava à porta de casa; o Parque Aquilino Ribeiro com esplanadas cheias; a inauguração da minha adolescência acontece sob o signo da demolição da Estação-de-caminhos de ferro, a banda sonora desses anos estava à venda na Rua da Paz; as primeiras sessões de cinema foram no Ícaro, ainda o Rossio era ponto de encontro; a minha biblioteca é a Casa Amarela. Entretanto, como comunidade, abraçamos a modernidade sob forma de centro comercial, as ruas ficaram vazias, o comércio tradicional pereceu, o centro histórico ficou cada vez mais deserto. Nesta entrada de séc: XXI, impávidos e bastante serenos assistimos à decadência e desmantelação do nosso património cultural, social e físico. Perante a uniformização europeia abandonámos o que nos distingue. Ao longo de toda esta caminhada a companhia fiel vinha d’O Cortiço –haverá “marca” mais forte que esta?- , espaço que esta semana encerrou as portas. Com o fechar de portas, também foram fechadas as memórias de muitos Viseenses, para os que lá passaram bons momentos restam as fotografias e as histórias pessoais que o tempo apagará. As notícias da morte da “minha cidade” podem pecar por serem exageradas, mas encarregam-se de impossibilitar o célebre “Alegra-te, jovem, na tua juventude” do livro de Eclesiastes. Da minha juventude, que hoje dificilmente se alegra, faz parte um passado, na minha cidade, que o presente, com a paciência de quem tem tempo, se encarrega de destruir, felizmente não há instagram que altere as cores da minha memória.

2.      O que se passa na Loja do Cidadão? Este jornal tem atribuído merecido destaque ao estranho caso da Loja do Cidadão. A polémica principal gira em torno da nomeação – nomeação, nesta frase, funciona como mero eufemismo- da coordenadora Ana Luísa Bastos. Como referiu o Jornal do Centro, Hélder Amaral, colocou diversas questões ao Ministro da Tutela Miguel Relvas relacionadas com este caso. Apesar da pertinência das questões, as respostas - algumas em tom de fuga em frente – pouco ou nada esclareceram. Desde logo, ficámos por saber onde foi publicitado o referido concurso. Terá sido no BEP, em algum jornal ou site? Fiz uma pesquisa e confesso que não encontrei nada. Será que com apenas dois elementos a loja corria o risco de deixar público por atender? A resposta é negativa. Sabemos que a referida loja funcionou durante oito anos com apenas dois sub-gerentes, sem registo de constrangimentos ao seu funcionamento. Numa época de diminuição da oferta e fortes constrangimentos orçamentais que motivo justificará tal “nomeação”? A justificação de prevenção de alguma ausência também não colhe, caso contrário todos os serviços públicos teriam um quadro de pessoal duplicado de modo a colmatar eventuais falhas. Terá realmente existido algum acréscimo de funções que justifiquem a contratação, ou repartiram as existentes de modo a tentar justificar a inclusão de um terceiro elemento? As minhas fichas ficam todas na última opção. Apesar da vontade de Hélder Amaral, estou certo que vamos continuar a aguardar resposta.

3.      As vozes do CDS: Durante bastante tempo a voz do CDS-PP Viseu era confundida com a voz de Hélder Amaral, mas algo está a mudar. Se por um lado temos Rui Santos, ainda que a título pessoal, a escrever com regularidade no seu blog “Tempo de Vésperas”, por outro lado, num registo oficial, começa a despontar a voz de Carlos Cunha, num jornal online. A diferença pela qual Carlos Cunha se tem pautado é positiva. Positiva na medida em que não opta pelo discurso simplista da contagem de espingardas, não fulaniza, apresenta uma visão “fresca” sobre a política local e com a mesma elevação com que faz oposição a Ruas é a única voz que evita que a campanha de Junqueiro passe incólume entre os pingos de chuva. Finalmente o CDS, sendo unívoco, fala a mais do que uma voz. Agora, resta esperar pela confirmação da candidatura de Hélder Amaral e que o CDS contribua com boas ideias e melhores pessoas para a escolha do próximo mês de Outubro. 


terça-feira, 26 de março de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Quinta do Grilo


Estacionei perto da Quinta do Grilo. Levei a minha melhor T-shirt.

À atenção do CDS



Conservadores locais, metam-me já numa lista para a AM. Concedam-me o prazer chamar "Great supine protoplasmic invertebrate jellies" aos adversários. Prometo que depois de tão elevado uso da linguagem renuncio ao mandato.

A culpa não é da Autarquia



Viseu é o distrito com mais idosos isolados, mas nos autocarros para a Malafaia vão todos acompanhados.

quarta-feira, 20 de março de 2013

terça-feira, 19 de março de 2013

O meu tem mais volume que o teu

Lá para Outubro, lançarei a obra "Trento na Língua", uma colectânea dos meus melhores textos publicados no Jornal do Centro. Dois grossos volumes em paperback, num estilo irónico, misantropo, livre de plágio, duro na gramática, hipocondríaco no diagnóstico e ultramontano q.b.. Os senhores da ADDLAP ou da CMV financiam? 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Sobre a política local (JdC)


1.       Sobre “Pôr a pata em cima”: A última Assembleia Municipal foi peculiar. Fernando Ruas, refém do seu vocabulário habitual, afirmou que pretendia alterar o nome da Comunidade Intermunicipal (CIM) Dão Lafões para CIM Região de Viseu. Até aqui nada de anormal, não fosse o pormenor de o Mayor de Viseu se ter esquecido de consultar os restantes 13 municípios da comunidade, avançando que caso o nome não seja alterado não exclui a possibilidade de sair da estrutura. É nestas alturas que temos de dar valor ao enraizado espírito democrático que rege os nossos representantes. Ainda na mesma assembleia e no mesmo plano político, o autarca Ruas indicou que ia pedir uma audiência ministerial para debater a denominação do centro hospitalar “Qualquer Coisa” - Viseu. Caso a decisão final fosse de Fernando Ruas, o autarca optaria por um nome que não magoe ninguém. A razão está do lado do nosso presidente, quem nunca se sentiu magoado por um substantivo, que atire o primeiro modificador preposicional do nome apositivo [o leitor mais sensível que me perdoe o recurso à TLEBS]. Apenas os tondelenses, PSD e PS de Tondela [peço desculpa, se algum Viseense se sentiu magoado ao ler o nome da localidade, mas na realidade não há outra forma de a mencionar] não se sentem magoados com a designação, considerando as palavras de Ruas uma afronta originada por alguma “azia” e uma “visão totalitária”. Para o Viseense comum fica por esclarecer: Qual a pertinência de se entrar nestas guerras em fim de mandato? Será que o medo de ser sucedido por Carlos Marta está a reduzir o discernimento de um autarca em fim de linha ou estamos perante um simples caso de má vizinhança?
 
2.       Sobre a Tese do Mestre: Nas últimas semanas, o vereador Guilherme Almeida, foi notícia nos principais órgãos de comunicação social nacionais e não pelos melhores motivos. Em causa está um alegado plágio da tese de mestrado que deu origem à magna obra “Os Desafios das Cidades”. Mais uma vez a oposição, à excepção do histerismo demissionário do B.E, ficou muda. A ironia aqui reside no facto do alegado original ser da autoria da própria esposa do vereador, que é docente no IPV. A confirmarem-se os factos relatados, se algum dia o plágio for encarado como uma facada no sagrado matrimónio, muito provavelmente, Guilherme virá nos livros; por seu lado Guilherme Almeida que fez carreira nas jotas, esteve no associativismo estudantil e é líder do aparelho partidário local [por tanto uma réplica de Relvas à escala beirã], sofre pelo menos uma facada na sua ambição política, quem, no próximo outono, aceitará ombrear com este senhor numa lista? Apesar do caso ter deixado estilhaços no PSD local, no IPV, no ISCTE e na CMV, até ao momento, Guilherme Almeida tem todas as razões para não entrar em pânico, afinal de contas a decisão está nas mãos da academia. Exacto, o leitor acertou, o juiz deste caso é o mesmo instituto que conferiu o grau académico. Ironia? Não, apenas uma característica lusa. Partindo do princípio que dificilmente alguém decidirá contra “a casa” em causa própria, o assunto está resolvido. Um brinde ao mestre.
 
3.       Sobre a irrelevância de “ser da” ou “ser de”: Caro leitor, Fernando Ruas será presidente “de câmara” ou “da Câmara”? Se o leitor for viseense, responderá que Fernando Ruas é o presidente da câmara; se o leitor não fizer ideia de quem seja Fernando Ruas, nem faça ideia do que é Viseu, responderá que Fernando Ruas é presidente de câmara. A presidência da República, a poucos meses das autárquicas, reparou que o “da” passou a ser “de”. Confuso? Só na óptica do eleitor. Do ponto de vista do dinossauro em exercício é indiferente. Para muitos Tiranus Rex autárquicos, alguns entretanto transformados em Tiranus Réu, a limitação dos mandatos é entendida como uma pausa forçada na carreira. Traduzindo a ideia para português suave: Os dinossauros, nos próximos quatro anos, deixarão a “sua” cadeira a um testa-de-ferro, que irá preparar o caminho para o regresso, em ombros, do líder original. Parece uma história soviética? Nada disso caro leitor é apenas mais uma idiossincrasia da Terceira República Portuguesa, nada demais.
 

segunda-feira, 4 de março de 2013

domingo, 3 de março de 2013

...


"O amor é: ter tanto a dizer-te que as palavras aglomeram-se na boca...

...como mulheres à porta duma mesquita onde houvessem perdido as pantufas"

sábado, 2 de março de 2013

Sábado


"O amor é: ler teus discursos; sobre a fé; razão; imperadores bizantinos; e já nessa altura não perceber nada...

.... mas saber que tu és fantástica"

sexta-feira, 1 de março de 2013

O estranho caso de Guilherme


Hoje vai ser apresentada uma obra baseada num estudo académico alegadamente fruto de plágio. De acordo com a imprensa a tese de mestrado tem muitas semelhanças com uma outra, sendo a outra a da esposa. Neste ponto devo alertar que poucas vezes a propriedade de uma esposa foi tratada como "a outra". Entretanto, ficamos a saber que o orientador da tese, que deu em livro, foi afastado por alegada incompetência. É de mim ou tudo isto é muito estranho