quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

No PS nada muda


Rosa Monteiro, vereadora do PS, publicou (sem qualquer comentário) esta reflexão, bastante competente, da autoria de Pedro Baila Antunes. Relativamente à Estratégia Viseu Primeiro, não é difícil a alguém na plena posse das suas faculdades, mesmo que vereador, concordar com o autor em diversos pontos da sua abordagem. Estranho é que a vereadora, estando presente na reunião em que o documento foi discutido, não tenha colocado nenhuma questão, tendo optado por se abster na hora da votação. A abstenção, à excepção de situações de ordem moral ou de um elevado grau de complexidade, não deixa de ser um aval, mesmo que envergonhado, à proposta apresentada. De uma oposição interventiva, não se espera que vote contra ou a favor de tudo sem o mínimo de critério, apenas se deseja um pouco de bom senso e que assuma as suas posições, os eleitores agradecem.

sábado, 14 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Wake up and smell the coffin



Os partidos não são atractivos, há novas formas de expressão no campo político e esta cidade não é para novos. Obviamente, a Graça não é velha nem do Restelo. 


Ps: Este post é uma (in)directa com mira nos queixos dos jotas. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Da Tribuna [Rua Direita]


No último 7 de Novembro comemorou-se o centenário de Camus. Não sou francófilo, antes pelo contrário, o meu imaginário está refém do outro lado do canal [um problema geracional dirá, com toda a razão, o leitor mais atento]. No entanto, para lá dos Pirenéus também há um povo que precisa de carinho e volta e meia, normalmente em finais de Dezembro, simpatizo com a tribo. Não poderia deixar de ser de outra forma.
Repare, caro leitor, nunca fui apanhado a trautear o Frère Jacques ou a ouvir o Aznavour, mas aprendi a ler com os franceses, mais concretamente com Proust. Perdoem a hipérbole, pois já sabia ler e escrever, mas foi um pequeno ensaio de Proust, sobre leitura, que me cativou definitivamente para o vício. Um vício bem melhor que Gauloises. Quanto ao resto, os franceses sempre me pareceram uma espécie de espanhóis mas conhecedores de queijo, que sendo mais competentes na difícil arte do amor obviamente usam a língua para beijar; o seu território apenas existe para que Alemães e Ingleses possam resolver, até ao último morteiro, os excessos do seu imperialismo.
O que mais me afasta de França é a falta de testosterona, excepto para o amor. Até o socialismo gaulês parece mole [a culpa não será apenas de Hollande ou dos croissants], provavelmente esta tibieza surge como contraponto ao socialismo real, que deixou traumas mais à esquerda e mais a leste, o que, de certa maneira, não deixa de revelar uma atitude prudente.
Do ponto de vista do século XXI considero a Revolução Industrial, o Abril de 74 e a Revolução Sexual [a segunda claro] incomensuravelmente mais importantes, para a vida portuguesa, do que a Revolução Francesa [NB: cabeças rolantes não resolvem problemas, excepto de ordem demográfica]. Dos anos 50, do século XX, em diante a principal vitória diplomática dos franceses, mais do que a Linda de Suza, terá sido a nacionalização de Carla Bruni, o que não sendo equiparável a uma vitória em Dunquerque não deixa de ser um feito assinalável.
Mas, voltemos a Camus, sobre este, Mexia escreveu, "Defendia a liberdade de consciência e a "boa-fé", convicções fatais para quem está em política, domínio dos dogmatismos e da má-fé organizada". Ora é o exemplo de Camus, um socialista francês, que não vejo entre os socialistas nossos conterrâneos, que sofrem da mesma falta de fibra dos restantes camaradas franceses. Entre nós, apenas sobrevive o dogmatismo com que que é feita a discussão politica, bem como a má-fé dos caciques que permite antever os resultados eleitorais do socialismo local, votações na ordem de dois votos para um, invariavelmente, a favor do status quo.

Por isso caros socialistas, tendo em conta que a tibieza faz parte da vossa escola política, fiquem com os franceses que mais vos agradarem, mas deixem o Camus e a Bruni de fora.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Estetoscópio

Meu caro Olho de Gato, os partidos políticos vivem de acordo com a máxima: "Não reconhecer o mérito". A República até pode rebentar, mas viver num estado de coma induzido, de alguma forma, parece satisfazer o caciquismo. Por tanto, do mesmo modo que não fico surpreendido com o seu voto no Alexandre, também não ficarei surpreendido com o resultado deste Sábado. Tudo está bem quando acaba mal, já dizia o pessimista.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

PS


Mais do que um PS de uns quantos -os mesmos de sempre- ou de um PS para alguns -os suspeitos do costume-, existe a necessidade de um PS com todos. Em última análise, ganha a cidade, ganhamos todos mesmo os não-socialistas. 

Segunda


sábado, 30 de novembro de 2013

Domingo


É já este Domingo, às 16h -entre o almoço e o jogo da bola. Apareça e não seja modesto! 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Perto do Oceano



"There ain't no use in crying.
It doesn't change anything.
So baby, what good does it do?
Your friends, they all sympathize
Maybe i don't need them too."

Rua Direita

Miguel Fernandes era filho de Viseu e da ganância dos anos 80.  Seguia um rigoroso regime à base de democracia e liberdade de expressão. Aos que garantiam que era avarento como Salazar, na hora de pagar, respondia que era preguiçoso como Mário Nogueira, na hora de trabalhar. Conhecido por ser leitor compulsivo, não há certeza que algum dia tenha ido a Fátima, que tenha escutado Fado ou que tenha assistido a um desafio de Futebol. Em sua presença, para grande excitação das senhoras, é certo que estávamos perante um cavalheiro à moda antiga, um heterossexual assumido, sem bigode mas com patilhas dignas. Adepto de longas caminhadas de cachimbo e inseparável dos seus suspensórios, não se lhe conhecem grandes desilusões amorosas. Virtuoso no domínio de línguas foi, em vida, largamente diplomado pelas melhores faculdades da capital. Produto da contra-reforma, tinha um indisfarçável gostinho por Martinho, sendo efusivamente vaiado pelo alto clero dos Países Baixos. Num acto de represália, por não usar amiúde a expressão “Época Balnear”, a Wikipédia, erroneamente atribui a autoria da sua obra “Quinto Império” a um desconhecido Padre António Vieira(?). A sua fortuna de nada lhe valeu, visto ter morrido a um dia da semana, possivelmente Terça-Feira, enquanto assistia a mais um episódio repetido de “Tieta do Agreste”, a sua novela preferida. Os mais temerários sustentam que deixou a sua semente masculina na Rua Direita, ninguém tem a certeza, é esperar pelos próximos capítulos.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Go Guilherme!


Acho vergonhoso este executivo não dar devido destaque ao vereador preferido da Tribuna.


PS: Desculpem a interrupção, mas as audiências não caem do céu. Props para o Guilherme! 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Semana

Meus caros,
Desculpem a demora tenho andado ocupado com a hipsteria em torno dos Arcade Fire tocarem no Rock in Rio, a vida não está fácil para quem evita ser cool. Relativamente ao burgo, tenho andado por aqui, por aqui, por aqui, e muito por aqui.

PS1: Em breve teremos novidades.
PS2: Os comunicados do Sobrado são uma seca. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Mau Almeida Henriques Feio!

Para quem se propunha incluir a oposição, "um quartinho fechado" parece má vontade. Ou muito me engano ou Almeida Henriques tem uma qualidade rara, que é a de nos deixar do lado de José Junqueiro e olhem que é difícil.

Dar não custa nada


Caros leitores, o Natal está a caminho. Não sejam agarrados e lembrem-se que a Tribuna também merece uma prenda- ver foto. Para a entrega: ver "contactos", à direita!


PS: Aos leitores mais desatentos recordo que gravo os IP's - logo sei onde vos encontrar- e que sou bom à porrada!!! [Três pontos de exclamação para que não restem dúvidas!]

Rua Direita

Há um punhado de boas razões para não afastarem a mira desta Rua Direita. Apenas as revelarei sob tortura, por isso fiquem atentos.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Política Local

A política local sofre de dois problemas. Sendo o mais grave, a recusa total do pensamento -manifestado no que a turba debita- e a sua consequência, a incapacidade de gerar uma nova abordagem a velhos temas -manifestado no que a turba faz.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Conterraneidade

Mulheres Portuguesas na América, conta com a participação de Benedita Pereira. Repito: Benedita Pereira. E o Secretário de Estado José Cesário não avisa os amigos? Conterraneidade is thicker than water, o tanas!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Da Tribuna


1. Dias calmos na cidade. Fernando Ruas já tem sucessor nomeado. Em breve terá lugar, com honras de município, a tomada de posse. O que devemos esperar do herdeiro? A minha expectativa é relativamente modesta. Do eleito, cumprindo um programa de governo minimalista, apenas espero: honestidade intelectual; honradez pessoal; profundo conhecimento da realidade local; discurso directo e claro; autonomia, relativamente ao partido; intransigência na defesa dos direitos do concelho; aposta numa cultura de meritocracia. O seu programa deverá ser cumprido, sem grandes dramas ou traumas, atribuindo particular atenção entre outros aspectos à: atracção de investimento [oferta de emprego precisa-se]; dinamização do centro histórico [ponto obrigatório e multidisciplinar]; Feira de São Mateus como agente económico e cultural da região; solidariedade social; posicionamento de Viseu a nível nacional - Viseu como sinónimo reforçado de qualidade de vida; diversificação da oferta cultural; requalificação de espaços verdes [rotundas não contam]; aposta no desporto amador e escolar; capacidade de reforçar Viseu como destino turístico.

2. Caro leitor, basta um pequeno passeio pelas ruas de Viseu e somos confrontados com a dura realidade. A cada três ou quatro portas, mais um estabelecimento comercial fechado. Não ignorando a crise a que governos de cariz despesista, e com sérias dificuldades em admitir a realidade, bem como crédito pessoal facilitado, nos conduziram. Não estará na altura do poder local assumir este problema como prioritário? Na Praça da República, o novo senhor do lugar parece entender a necessidade desenvolver um plano integrado que dinamize o comércio local? Segundo o próprio, e ao que tudo indica, sim. Também é entendida a premência em facilitar a aproximação entre produtores, distribuidores e consumidores locais, no centro histórico bem como noutros espaços públicos? Se sim, menos mal. Não tomem este como um discurso de um perigoso radical de esquerda, longe disso. Todavia, qualquer conservador entenderá que a massificação em nome de economias de escala apenas terá como resultado a destruição de antigas relações comerciais locais. Com elas perdemos igualmente o nosso elemento diferenciador. Do centro histórico, em breve, apenas teremos ruínas de um passado não muito distante. No fim, em nome de uma falsa modernidade, o que restará? Centros comerciais cheios de gente pomposa mas irremediavelmente desenraizada, bem como uma cidade e um povo descaracterizados e sem identidade. É para aí que queremos ir? Não creio. É para aí que seremos conduzidos? Nos próximos quatro anos teremos a resposta.

3. Por norma, é na juventude que se cultiva uma terna sinceridade; que se dispensa a hipocrisia da vida adulta; e que se desenvolve um espírito voluntarista, nunca deixando de lado a coisa pública com uma visão positiva do mundo. Até a rebelde inquietude desta juventude é doce. Mas existe uma segunda juventude. Uma juventude soturna que parece ter 60 anos. Tal como os "velhos", ou influenciados por estes, percepcionam o mundo a preto e branco. Sem discriminação, dividem tudo entre um "nós" virtuoso e um "eles" causador de todas as iniquidades. Esta juventude, se deixada no infantário por sua conta, não se sabe comportar. Sem adultos por perto, começam a birra e puxam do tiranete interno para lançar o caos e a choradeira. Se ser jota é entrar nestas guerras, então o futuro partidário será negro e com cheiro a caciquismo dos anos 80. Os partidos precisam da primeira juventude, a segunda já é bem representada em instituições para ex-jotas. Serve este texto para recordar que a Juventude Socialista de Viseu, em breve, vai ter eleições. Aos candidatos e sua entourage o meu: “Alegra-te, jovem, na tua juventude”.

In: Jornal do Centro 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Malha do Alves

O ilustre Alexandre entende que o iluminado deputado Pedro Alves não percebe patavina de dialéctica. Paris Hilton, também não domina tal conceito e com isso não vem mal ao mundo. A menina Hilton, tal como o deputado, e esta Tribuna são filhos do pós-modernismo, isto tem algum peso. Como tudo o que é pós-moderno, sabemos que Hegel só serviu para lançar confusão [a teoria deste marmanjo espatifou a vida, bem como meia dúzia de poemas, a Baudelaire], também é sabido que a treta da Aufhebung e da dialéctica foi metida no saco, em 1943 [consultar: Sartre Vs Bataille], é nesta época que partimos do moderno para o pós-moderno. Ora o deputado em questão, muito provavelmente, será capaz de recitar [de trás para a frente] a obra "Un nouveau mystique" ao mesmo tempo que desenvolve mais um tomo dos seus estudos sobre "Personalismo em Sá Carneiro". Portanto, dêem uma abébia ao homem. Não é todos os dias que um deputado, tal como Bataille, se propõe a substituir a dialéctica pela tragédia. Caro Pedro, como eu o entendo, ser intelectual num mundo dominado por bárbaros não é tarefa fácil.  

Nota: Por mera questão de probabilidades, não são permitidas apostas sobre se o deputado entendeu ou não o conteúdo deste post. 

A Malha do Simão

O Vitor é candidato à jota. Não sou adepto de jotas. Posto isto, muita saúdinha a todos.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Léxico

"Sinestesia
Sinestesia é aquela palavra que explica, por intermédio dos exageros mímicos do Douglas Fairbanks, que o cinema nunca foi mudo, a audiência é que foi surda.

Priapismo
Priapismo é o mal de quem satisfaz apenas os prazeres intelectuais. Tem um esquema matemático simples: estado vertical de quem se recusa a ler na diagonal, detraindo o tempo do mambo horizontal.

Solilóquio
O solilóquio é o monólogo dos pobres. Nem sempre as partes envolvidas estão de acordo. Dizem os antigos que cura o pernosticismo.

Ínclito
Ínclito é o que chamaria a um qualquer preclaro. Mas se um preclaro fosse um qualquer, não seria ínclito.

Metacronismo
A primeira vez que escrevi a palavra metacronismo foi amanhã de manhã.

Consorte
O consorte era quem mais tinha motivos para falar agora e se calou para sempre. A palavra con+sorte só pode ser uma piada cruel."

domingo, 6 de outubro de 2013

A Tribuna

A Tribuna no FB conta com 199 likes. Deste modo, ofereço jantar à luz das velas ao seguidor nº 200*.

*Promoção válida apenas para senhoras que trajem biquíni na respectiva foto de perfil. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Olho de Gato

Resposta ao ponto 2. Na Guarda, a concelhia local do PS demitiu-se após o mau resultado do último Domingo. Em Viseu, tendo em conta que Junqueiro - que deve assumir o cargo de vereador até ao último dia- não era o candidato da concelhia socialista, apesar do mau resultado, não parece existir a necessidade de tirar conclusões políticas. Faz sentido. 

Da Tribuna [Jornal do Centro]



1. Chegou o Outono, as eleições passaram, Fernando Ruas tem substituto indigitado. Por mérito próprio, e não devemos ser ingratos, Fernando Ruas tem um lugar de destaque nos compêndios de história contemporânea de Viseu. O autarca social-democrata exerceu o poder durante quase duas décadas e meia, fruto de resultados eleitorais inequívocos. Não é brincadeira, meus senhores. No entanto, podemos dividir este período em duas partes distintas. 1ª Fase: 1989-2001 “Os anos dourados”. 2ª Fase: 2001-2013 “Os anos do ocaso”. Se no primeiro período -que, com alguma benevolência, admito que possa ser estendido até 2004- Fernando Ruas cumpriu, com louvor, o modelo autárquico em voga; no segundo período não foi capaz de concretizar “O grande salto em frente” – Mao chamar-lhe-ia a revolução cultural. Mas ao eleger Fernando Ruas, o povo, com a astúcia própria de um H. Kissinger, não desejava um grande, ou mesmo pequeno, revolucionário. O povo sabe que o futuro chega com calma. Do seu líder, apenas esperava uma figura que desse garantias que a vida seguia o seu rumo, sem grandes equívocos ou sobressaltos. O povo é soberano e esclarecido. Não há volta a dar meus caros. Em fim de época, e sem a certeza que não surja uma terceira fase, é importante reter que Ruas nunca foi derrotado nas urnas e tendo em conta o resultado do último fim-de-semana – o PSD, em 2009, obteve 62 % dos votos, contra apenas 46% em 2013-, mesmo sem ir a jogo, o valor eleitoral de Ruas sai reforçado. Não haja equívocos, como disse, o mérito é todo de Fernando Ruas. 
  
2. Nestas autárquicas, Hélder Amaral foi eleito vereador, com 9,54% dos votos, recordo que entre votos brancos e nulos registaram-se 9,62%. Não tendo, os votos de quem optou por votar branco ou nulo, menos valor do que, por exemplo, os que ajudaram a eleger António Almeida Henriques ou mesmo José Junqueiro, estes também deveriam estar de algum modo representados no executivo camarário. Estando perante um elevado número de Viseenses que decidiram despender o seu tempo, de modo a mostrar aos candidatos que não acreditam em nenhuma das opções apresentadas, um lugar vazio no executivo – de todos menos o do incontornável Guilherme Almeida, please!- seria a melhor forma de representação que poderia ser atribuída a este verdadeiro voto de protesto. A ser implementada esta medida, corríamos o sério risco de muito em breve o executivo ser integralmente composto por cadeiras vazias; o que seria uma lição, não apenas para os partidos e candidatos não-eleitos, como também para todos os que se demitem da sua participação cívica, deixando terreno livre para os suspeitos do costume fazerem da partidocracia a sua sala de estar.   
  
3. Dois breves apontamentos para os recém-eleitos. Em primeiro lugar, não desertem e cumpram os mandatos com o empenho e dedicação devidos. Em segundo lugar, as sábias palavras de Enoch Powell: “For a politician to complain about the press is like a ship’s captain complaining about the sea” i.e.: No que toca à imprensa, não sejam piegas.   

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Festa da Democracia

As autárquicas são a festa da democracia. Não sendo um grande entusiasta de festas ou de listas, perdoem, então, a minha manifesta falta de entusiasmo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Na semana em que não devemos ser idiotas

"Victor Frankl descrevia o fanático por dois traços essenciais: a absorção da individualidade na ideologia coletiva e o desprezo pela individualidade alheia. “Individualidade” é a combinação singular de fatores que faz de cada ser humano um exemplar único e insubstituível. Há individualidades mais e menos diferenciadas. Quanto mais diferenciadas, menos podem ser reduzidas a tipicidades gerais e mais requerem a intuição compreensiva da sua fórmula pessoal. Isto se observa, mais nitidamente, na obra dos grandes artistas e filósofos, para não falar dos santos e profetas. É só de maneira parcial e deficiente que a personalidade criadora se enquadra em categorias gerais como “estilo de época”, “ideologia de classe” etc., que os cientistas sociais inventaram para falar de médias humanas indistintas, mas que o estudioso medíocre insiste em aplicar como camisas de força a tudo o que vá além da média. Nessa insistência já se manifesta, em forma disfarçada e socialmente prestigiosa, o fanatismo definido por Frankl. Boa parte da “ciência social” de hoje não é senão o recorte das individualidades segundo a medida da mediocridade-padrão.

Fernando Ruas


Até à próxima meu caro. Até 2017!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A inveja é uma coisa feia*

Junqueiro: - "Vai uma garrafa de vinho?"
M.F: - "Não bebo."
Junqueiro:- "Mel?"
M.F: - "Diabetes na família."
Junqueiro: - "Uma garrafinha de azeite? 
M.F: - "Só como comida processada."
Junqueiro: - "Um voto?"
M.F: - "Sou eleitor não praticante."

* Adaptado da peça: "Má inveja feia".

Da Tribuna [Jornal do Centro]



1.       Não há eleições sem sondagens, tal como não há bruxas sem bolas de cristal.” Era mais ou menos assim que, às 08h, de um Outono de 2007, que começava mais uma aula de Estudos Eleitorais. Chego a 2013 e confirmo, a academia não anda a dormir. Mais umas eleições, mais umas sondagens, mais uma visita à Maya -caro leitor, nunca negue à partida uma ciência que desconhece. A última sondagem atribui 48% a Almeida Henriques; 35,8% a  José Junqueiro; 7% a Hélder Amaral; 3,5% à Manuela Antunes; e 2,6% a Francisco Almeida. Calma meus caros, moderem o vosso entusiasmo. Não há vencedores antecipados. Em relação às sondagens, não sendo crente também não sou agnóstico. Uma sondagem é um estudo estatístico que, pela sua própria natureza, mesmo ponderando as mais diversas variáveis, será sempre incerto. Arrisco afirmar que, por vezes, é ténue a linha que separa algumas sondagens das previsões do falecido polvo Paul [2008-2010; como a vida pode ser curta para um cefalópode]. Em noites eleitorais grandes vencedores deram miseráveis derrotados e derrotados da vida emergiram estadistas. Agora, vamos entrar na cadeira de história. Convido-vos a recuar um pouco no tempo e a viajar umas milhas: Segundo a Eurosondagem, nas eleições presidenciais de 2006, Mário Soares tinha larga vantagem sobre Manuel Alegre, e o resultado…; não quero ser picuinhas mas também recordo Rui Rio versus Fernando Gomes, 2001; como não recordar Paulo Rangel frente a Vital Moreira nas eleições Europeias; agora, vamos mais longe, vamos saltar fronteiras e viajar até 1992, no Reino Unido, quando os conservadores ganharam com um avanço sobre os trabalhistas – os vencedores segundo os “estudos de opinião”. A falha essencial das sondagens reside na diferença entre a intenção [de voto] e a acção [votar efectivamente]. A separar uma da outra pode estar um oceano de razões.

2.    Há algo intrigante no sloganCompromisso com Viseu”. Alguém, provavelmente um realista, disse que um bom compromisso é aquele em que ambas as partes ficam descontentes. Esse alguém, hipoteticamente, estaria a falar de relações amorosas ou de uma mera transacção comercial. Acontece que, por diversas ordens de razão, às eleições não devemos associar o mesmo tipo de características que atribuímos às relações ou a transacções comerciais. Relativamente ao discurso político, fartos que estamos de gato por lebre, devemos exigir mais, devemos esmiuçar as palavras de modo a evitar quaisquer equívocos. Sendo este compromisso o suficientemente vago para significar muito ou não significar nada, lá fui ao dicionário. Para quem não conhece, o dicionário, é uma obra recomendável que, sem fazer juízos de valor, salta, sem delongas, directamente para as conclusões –nada precipitadas- então um compromisso é: “uma forma de criar um vínculo ou de assumir uma obrigação com alguém, com um objectivo”. Volto ao mesmo ponto, enquanto slogan político, compromisso, continua a parecer-me vago. Porém, no último domingo, as dúvidas foram afastadas e ficou definido o nível de comprometimento de Hélder Amaral: Caso seja eleito assume o lugar. Assunto esclarecido. Resta esperar que José Junqueiro, sem engulhos de Miguel Ginestal 09, assuma o mesmo tipo de compromisso com o eleitorado [socialista e não socialista] e com a cidade. Caro José Junqueiro – agora, escrevo directamente para o meu amigo-, o sloganSó desisto se for eleito” apenas parece resultar com o candidato Vieira e Viseu merece ser esclarecida antes de uma ida às urnas. Não acha?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Da Tribuna [Jornal do Centro]


1.       Fernando Ruas, o estimado Presidente do Município, em vésperas de deixar o lugar, teve uma atitude sob todos os prismas democraticamente saudável, abriu as portas da autarquia e apresentou as contas à comunicação social. Num registo pouco comum entre as autarquias nacionais, segundo as contas apresentadas, o município apresenta bastante saúde financeira sendo que para o próximo executivo este tema será um mal menor. Ter saldo positivo é bom? Sim, não há outra resposta. Numa altura de aperto financeiro, até como exemplo, é um sinal positivo. Portanto, Fernando Ruas está de parabéns? Bem, esta não é uma resposta de sim ou não. A minha geração, apenas através dos avós, recorda a política dos cofres cheios de ouro e uma sardinha para quatro, de 73 e isso é bom. A gestão, pertencendo à esfera  das ciências sociais, será sempre alvo de discussão e encerra infinitas possibilidades. Será sempre boa ou má de acordo com o lado do cofre em que nos encontramos. A pergunta que como contribuintes podemos fazer é: Será o objectivo final, da gestão autárquica, gerar lucro para aplicar num banco? A essa pergunta, que vale a simpática quantia de um milhão duzentos e vinte e quatro mil novecentos e cinquenta e três euros e vinte e quatro cêntimos desaparecida no BPP, a resposta mais correcta será, um indeciso, talvez. Se aplicamos o saldo no banco como alternativa a desbaratar em rotundas, funiculares, pilaretes e asfaltar o projecto de um Centro de Artes e Espetáculos, é boa gestão; nada contra. No entanto, se temos saldo positivo e ao mesmo tempo corporações de bombeiros em dificuldades, um rio poluído, uma má rede de transportes urbanos, problemas de saneamento em algumas aldeias, miséria flagrante às portas da melhor cidade para viver e assistimos à atribuição de subsídios sem critério ou distinção aparente, é má gestão; nada a favor. Para a saúde do próximo executivo um mal menor pode vir a ser muito.


2.       Na semana anterior, num jornal nacional, os viseenses foram considerados campónios iletrados. A população, e bem, optou por barafustar ou desvalorizar. A candidatura de Almeida Henriques, ao contrário das restantes que optaram por ignorar, advertiu o director do órgão de comunicação. Seria positivo se a última frase fosse uma caricatura, mas corresponde, tal como a “súcia do piropo”, ao avanço generalizado de uma visão restritiva das liberdades. Neste ponto, assistimos a uma estranha aliança entre reaccionários e progressistas. Aqui, encontramos gente que até defende a liberdade de expressão, logo que esta adopte um conjunto de regras. Regras que em última análise a limitam, claro está. Há muita opinião e insulto escrito que devem ser rebatidas, no primeiro caso, e processados, no segundo caso. Mas, se a liberdade de expressão está em causa, os democratas, mesmo que alvo de ofensas, assumem a única posição válida, a sua defesa. Considero o artigo de mau gosto, mas, caro Almeida Henriques, não desejo viver numa cidade em que apenas possa ser reproduzido o que é “simpático” para nós. Fazer boa cara à selva que é a vida em sociedade é o primeiro passo para a vida democrática. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Viseu 90's



Em meados da década de 90, num muro cinzento e sem graça, perto de minha casa, alguém escreveu em letras garrafais: VIOLENT FEMMES. Para um teen é reconfortante saber que na vizinhança o vandalismo é esclarecido. 

Junqueiro vintage


José Junqueiro é rei na campanha da contagem de espingardas. Avisem o candidato que 2013 não é bem 1994 e que a malta já não tem pachorra! 

Dos leitores

Tenho recebido mails (contacto à direita) de vários leitores, infelizmente o meu tempo de resposta é longo. Mas leio, tento responder a todos e tenho a oportunidade de conhecer gente simpática. Sabendo que não aprendem nada comigo, agradeço a bonomia e lamento a demora. A culpa não é vossa, não desistam, meus caros, não desistam! 

Late Night

F€rnando Rua$

                                               

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Guilherme com Olho de Gato

Concordo com quase tudo. O brinde -tipo Kinder Surpresa-, do ponto que procuro defender, está no quase e aplica-se unicamente à candidatura de Almeida Henriques. Se não tenho nada contra a adorável Ana Paula Santana, tenho tudo a favor do inequívoco Guilherme Almeida -líder de audiência incontestado deste blog, aplausos para ele. Guilherme Almeida, se a política local fosse arte, era um Van Goh em bruto, aquele que de quem nunca sabemos o que esperar, numa lista de Dalis que, como sabemos, apesar de esforçados, são uma seca monumental. Sem Fernando Ruas, Guilherme Almeida, apesar de tudo, ou melhor, por tudo o que representa é o derradeiro agregador de votos. Só um PSD verdadeiramente novo e enxuto teria a coragem de colocar Ana Paula Santana à frente de Guilherme Almeida. Mas não era a mesma coisa, pois não?  

domingo, 1 de setembro de 2013

Domingo


Dia de louvar a Criação, porque o Diabo está nos detalhes.

Fraude

Terminei a minha biografia, sob condições adversas a qualquer tipo de decência ética, sombria, cheia de rasuras e plena de lacunas. Depois da revisão chego à conclusão que se sujeito a eleições dificilmente votaria em mim. Uma fraude de mim mesmo, portanto. 

sábado, 31 de agosto de 2013

No All Music

Desconfio que o AllMusic anda a rever a Tribuna: “…flirts with his history as a way to make sense of his present, reconnecting with his strengths as a way to reorient himself, consolidating his indulgences and fancies into a record that obliterates middle-age malaise without taking a moment to pander to the past […]containing all of the hallmarks -- namely volume and crunch, but also a tantalizing sense of danger, finding seduction within the darkness -- but there is little of the desert sprawl and willful excess that have always distinguished their records. This is forceful, purposeful, fueled by dense interwoven riffs and colored with hints of piano and analog synthesizers that quite consciously evoke '70s future dystopia…” 

Sábado



"Úria que com "Barbarella e Barba Rala" escreveu a mais sublime canção de amor triste da sua geração [sem nunca ter tido um desgosto amoroso], escreve agora o melhor poema conjugal desde, talvez, William Carlos Williams, que dedicou à mulher com quem estava casado há quarenta anos "Asphodel, That Greeny Flower" texto que só não é mais conhecido em português porque Williams escolheu uma planta ornamental que em português lamentavelmente se chama "Asfódelo"."

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Situacionista


Não se sei é do calor, mas em Agosto sinto-me particularmente situacionista.

Agosto

Agosto é um mês excessivo. Excesso de calor, excesso de francês na rua e gente na praia. Nada disto augura nada de bom. Este Agosto foi particularmente penoso. Concedo, o timbre britânico do John Oliver é porreiro. Mas dificilmente acompanha a coolness nova-iorquina do Jon Stewart. Setembro chega tarde.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Tribuna do Leitor [ainda os Campónios Iletrados]

Um leitor atento, em resposta ao post mais quente do mês, deixou um comentário em que coloca diversas questões. Vamos a elas, porque democracia sem democratas não é bem uma democracia.

Leitor:Então colocamos a fasquia por baixo?

Tribuna: Não. Colocamos a fasquia alta, afinal de contas, temos opções. Lemos jornais e artigos escritos por gente versada para gente versada; desvalorizamos Lucianos ou, em alternativa, manifestamos o nosso desagrado. Todavia, um cérebro limitado será sempre um cérebro limitado, mas tal facto não deve limitar o seu direito à opinião. Se os Lucianos se tornarem ofensivos, damos uso aos tribunais. Lamento, mas a democracia funciona assim.

Leitor:Não há seriedade jornalística nem responsabilidades editoriais?

Tribuna: Parcialmente, a questão não se coloca. E isto é importante distinguir: Estamos perante um artigo de opinião, não um trabalho jornalístico.
Relativamente à responsabilidade editorial, esta cai por inteiro no colo do editor. Ele faz a triagem que entende, o que aceitar será o reflexo do valor que ele pretende atribuir ao seu jornal. Aqui nenhum governante se pode imiscuir, ou tentar condicionar as opções tanto do editor como do colunista, sob pena de estar a entrar no campo da limitação de liberdade de imprensa e de opinião; facto grave em qualquer democracia.

Leitor:Os jornais passam a pasquins?

Tribuna: Se entenderem ser pasquins é problema deles, estamos no campo da liberdade editorial. Cabe ao público escolher se compra ou não, se lê ou ignora. Se o leitor entender formar uma banda “pimba”, logo que não obrigue ninguém a escutar, está no campo da sua liberdade.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Tempo de vésperas

O Rui, em tempo de vésperas, faz uma análise bastante ponderada sobre situação autárquica. Já eu, estou certo que a realidade vai confirmar que todos, mesmo todos, serão vencedores. Almeida Henriques porque ganha; Junqueiro porque consegue a melhor votação de sempre para o PS; Hélder Amaral, porque atinge a melhor votação, do CDS, nos últimos 20 anos; Manuela Antunes porque cumpre; Francisco Almeida porque o afinal de contas o PCP nunca é derrotado, nem mesmo pela realidade. Por último, uma palavra para o grande vencedor Fernando Ruas que deixa a certeza que sem ele o PSD dificilmente voltará a ter votações superiores a 60%. Parabéns, tal como no desporto escolar, são todos vencedores. 

sábado, 24 de agosto de 2013

À atenção de Almeida Henriques

                                             

Meu caro Almeida Henriques,

Tal como o amigo, gostava de saber em que medida Luciano Amaral me considera um campónio e iletrado. No meu caso, como da maioria dos viseenses, fazer prova de tal condição será complicado. Toda a vida vivi na cidade e, apesar de não ser um literato, considero ter uma biblioteca pessoal decente, contra factos! 
Continuando. Até entendo que destrate o senhor Luciano Amaral, no aconchego do seu lar, tal como eu o faço [É um prazer gozar com aquele caixa de óculos]. Agora, na qualidade de titular de dois cargos públicos e candidato ao mais alto cargo local, não posso concordar com a desvalorização que faz tanto da democracia como do papel da liberdade de expressão no seio desta. 
Como meu representante espero que, perante os Lucianos desta vida, diga sem reservas: "Discordo deste ignorante, mas defenderei até ao fim o seu direito à ignorância, como opção de vida, e a dizer todas as barbaridades que entender". 
Esta atitude, respeitará a memória de todos os grandes pensadores, mais ou menos, de direita de Tocqueville, passando por Churchill, até Sá Carneiro; confirmará a sua identidade como social-democrata [aqui não há como fugir ao Democrata]; deixará aos Estalinistas o que é próprio dos Estalinistas [limitação da liberdade de opinião]; e fará prova do que defendem os Viseenses, que a iletracia apenas existe na caneta do Sr. Luciano. 


Com todo o respeito,
Miguel Fernandes

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Podia ser 94

Quase não me reconheço. Como ignorar a semana em que visito o novo testamento, endosso algum apoio ao Ruísmo e concordo com um, dois, posts de Junqueiro [que, para o bem e para o mal, nunca apaga o que escreve]? Vou de férias, antes que acorde em 94.

Adenda: Quem é que, em 2013, ainda acredita que isto é uma boa ideia

Quero o meu Ruas de volta [Jornal do Centro]


Nas últimas semanas, cumprindo a lei eleitoral, foram apresentadas as listas concorrentes aos órgãos autárquicos locais. A única novidade é que não há novidades. Ao analisar as listas, devemos ter em atenção os dois pontos levantados, neste jornal, pelo caro Joaquim Alexandre Rodrigues: i “nos lugares elegíveis para a câmara e assembleia municipal, o aparelhismo partidário mais seguidista e acrítico, polvilhado aqui e ali com um ou outro académico para enfeitar”; ii “nas listas de freguesia, generosidade e amor à comunidade[ponto 3]. Se nenhuma alma razoável terá dúvidas relativamente à generosidade inscrita no segundo ponto, o primeiro ponto será razão mais do que suficiente para transformar até o leitor mais apático num saudosista por antecipação. Numa primeira leitura, sobre as listas, se fosse republicano [na acepção ianque da palavra] messiânico, ao mesmo tempo que moderava o meu entusiasmo relativamente ao fim do Ruísmo, resumia a minha reacção inicial a duas palavras “Choque” e “Pavor”. Se o leitor, neste momento, questiona: Foi desta que o Miguel vendeu a alma ao Ruísmo? Serei obrigado a responder com a prudência do costume: Nada de confusões meus caros, se por um lado nem todo o Ruísmo foi negativo, por outro lado, nem tudo o que é novo é bom. Vamos por partes. Porque é que o Ruísmo não foi assim tão mau? Se tivermos em conta um certo modelo de desenvolvimento, Ruas foi um autarca no mínimo competente. Entendeu o modelo de gestão dos anos 80/90, definiu a rota e seguiu o seu caminho. O problema – e aqui há sempre um problema, não é?-: Entretanto virámos de século, entrámos na segunda década do milénio, sem assistirmos a grandes alterações de fundo em termos de políticas públicas. Entrámos com vontade no pós anos 90, liderados por um autarca que não envergonharia ninguém, no entanto, ano após ano fomos sendo ultrapassados tanto pelo tempo como por executivos autárquicos cada vez menos dinâmicos [o adjectivo, aqui, funciona como eufemismo], tudo isto sem queixumes por parte de uma oposição anónima. Porque é que nem tudo que luz é ouro? Porque fruto das circunstâncias temos a oportunidade, mas não a vontade, de mudança. Esta “não-vontade” de mudança, que em parte será explicada pelo mero receio do desconhecido, que habita em cada um de nós, também é responsável pelo mofo que se apoderou dos partidos. Internamente, a fauna partidária, sobrevive graças a uma vigorosa dieta assente no tal “seguidismo acrítico aparelhista”, esta dieta além de garantir imutabilidade das coisas, evitando sobressaltos, elimina a possibilidade de qualquer tipo de pensamento crítico ou alternativa interna. A presença do académico ocasional ou de um ou outro independente é justificada na exacta medida em que permite garantir a manutenção do status quo transmitindo, ao mesmo tempo, a falsa ideia de mudança e abertura ao exterior. Perdão cavalheiros, atendendo às vossas listas, se é para manter tudo na mesma prefiro o original. Quero o meu Ruas de volta.

In: Jornal do Centro

domingo, 18 de agosto de 2013

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Memórias

As memórias de Hunter S. Thompson -por E. J. Carroll- arrancam assim:

"Oh, yes. Look at his daily routine:

3:00 p.m. rise

3:05 Chivas Regal with the morning papers, Dunhills

3:45 cocaine

3:50 another glass of Chivas, Dunhill

4:05 first cup of coffee, Dunhill

4:15 cocaine

4:16 orange juice, Dunhill

4:30 cocaine

4:54 cocaine

5:05 cocaine

5:11 coffee, Dunhills

5:30 more ice in the Chivas

5:45 cocaine, etc., etc.

6:00 grass to take the edge off the day

7:05 Woody Creek Tavern for lunch-Heineken, two margaritas, coleslaw, a taco salad, a double order of fried onion rings, carrot cake, ice cream, a bean fritter, Dunhills, another Heineken, cocaine, and for the ride home, a snow cone (a glass of shredded ice over which is poured three or four jig­gers of Chivas.)

9:00 starts snorting cocaine seriously

10:00 drops acid

11:00 Chartreuse, cocaine, grass

11:30 cocaine, etc, etc.

12:00 midnight, Hunter S. Thompson is ready to write

12:05-6:00 a.m. Chartreuse, cocaine, grass, Chivas, coffee, Heineken, clove cigarettes, grapefruit, Dunhills, orange juice, gin, continuous pornographic movies.

6:00 the hot tub-champagne, Dove Bars, fettuccine Alfredo

8:00 Halcyon

8:20 sleep"

Bom fim-de-semana.

Vacas Magras, Sr. Junqueiro

Senhor Junqueiro, vou ser um cavalheiro e fingir que o Partido Socialista nunca falhou nesse tema. Mas, em tempo de vacas magras, ficam duas letras e um número: IP3!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A campanha na rede

A campanha, na rede, está a ficar rasteira. Em abono da verdade, com estes jotas, estes candidatos, estes diretores de campanha e o vazio que povoa o seu pensamento político, alguém esperava que fosse de outro modo?