quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A rebelião das estantes


Sou zeloso proprietário de diversos dicionários. Devido ao Acordo Ortográfico, em breve, serão obsoletas relíquias do passado. Esta manhã, liderados pelo perigoso fascista etimológico (leia-se dicionário de Latim-Português), iniciaram uma greve de zelo. Exigem ser tratados por: Glossarium
O poderio sócio-económico brasileiro terá óbvias dificuldades em impor-se, nas minhas estantes.

Mais do que uma declaração política


O Beck do PSD?



Guilherme Almeida, entre a espada e a parede, não se pode dar a luxo de ser um Loser como Beck. A vida política não se compadece com a noção de Modern Guilt.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Se eles Dão a TV, haverá debate?

Eles Dão(a)Tv! Deste lado aceitaram o desafio. Agora só resta  ir a jogo.
Eu, qual treinador de bancada, apresento a táctica : Iniciem sempre as respostas com Sá Carneirismos, pelo meio frases feitas e banalidades q.b., terminem todas as  intervenções com uma punchline. Galvanizam as claques e entretêm o povo.

Toda a informação foi "gamada", sem pingo de vergonha ou honradez blogueira, do VSB.

Raymond em Viseu


Confesso que gosto de ler biografias e memórias. São o meu reality show "literário" preferido. Sem as desvantagens dos formatos televisivos, a saber: Os participantes não estão sujeitos ao voto do público; O vocabulário não é sofrível; As senhoras, com uns quilos a mais, estão sempre vestidas; Os participantes nunca foram convidados para o Carnaval da Mealhada; Raramente o Correio da Manhã tem notícias em que os intervenientes sejam referidos; Não são apresentadas nem por Júlia Pinheiro, nem por Teresa Guilherme. Portanto todas as vantagens, nenhum inconveniente.
Neste momento leio: Memórias de Raymond Aron (1905- 1983), editado pela GUERRA & PAZ. 
Raymond Aron, filósofo e sociólogo, homem prudente, céptico, adorava o diálogo e não fugia ao debate. Aqui não há nenhuma indirecta, para nenhum político local, garanto!
Esta obra relata a sua vida, num século em que o mundo mudou e a dicotomia entre marxismo e liberalismo atinge o seu auge. 
R. Aron é um realista clássico, um Keynesiano liberal, alguém que não se define como de direita ou esquerda. Para Raymond, em todos os assuntos, as suas posições políticas e sociológicas dependiam sempre, mas sempre, dos problemas apresentados. São recordados os principais combates da sua vida, muitos dos quais com o seu bom amigo Satre. Aron é alguém generoso para com o adversário, como só os verdadeiros cavalheiros sabem ser, capaz de entender as qualidades dos que criticava e as fraquezas  dos que defendia. Para Aron, a beleza e a fragilidade do liberalismo reside no facto de que "este não abafa as vozes mesmo as mais perigosas". O seu pensamento pluralista ainda é actual e necessário. Seria bom que, algumas cabeças cá da terra, passassem os olhos por esta obra.

O fim da "não" campanha


Já falta pouco. Muito pouco, para descer a cortina. Certo é que, dificilmente, o futuro de Viseu será afirmado ou existirá mais sociedade ou melhor partido.

Ps: Se não causar incómodo, os média locais, poderiam referir que, simplesmente, não houve debate? Uma nota de rodapé. Será pedir muito? Se o problema é falta de espaço, proponho que encaixem a informação  no meio do obituário. Não dá trabalho e eu antecipo o texto:

"Campanha, que variou entre fraca e fraquinha, faleceu esta manhã. De acordo com o médico legista, o óbito deve-se a falta de debate. Sabendo da necessidade de debate, livre e aberto, para a manutenção das funções vitais da vítima, os candidatos optaram por protelar a decisão até se chegar a este desfecho trágico. Neste momento decorre uma vigília, de cidadãos anónimos, à porta da sede do partido. Já os candidatos aguardam os militantes, junto à urna, de modo a depositarem os seus votos, sem enganos. Neste momento de consternação, tal como na campanha, não se espera grande choradeira, grandes dramas, grande meditação ou debate. Viveu em silêncio, morreu em silêncio, será recordada em silêncio!"

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Uma quase resposta certa

Meu caro Guilherme Almeida, é com prazer que o registo como atento seguidor deste espaço. Fico feliz por saber que, de algum modo, contribui para a melhoria dos seus comunicados políticos. Tenho de lhe dar os parabéns pelo último. Deixou cair os Sá Carneirismos, tenta marcar diferenças, relativamente ao seu adversário, consegue um texto curto, enxuto e legível, por tudo isto, os meus sinceros parabéns. Mas infelizmente, ainda continua a cometer alguns erros. Tenha calma, respire fundo, com um pouco de treino isso resolve-se. Vamos aos erros. Da próxima vez tudo correrá pelo melhor, prometo! Preparado? Então, aqui vai! Tem de evitar dizer uma coisa às Segundas, Quartas e Sextas e o seu contraditório as Terças, Quintas e Sábados. Isto confunde a opinião pública, também pode dificultar a decisão dos militantes mais atentos. Se, realmente, quer abrir o partido à sociedade evite cair na tentação, "totalitária", de o fechar dentro de portas. Se quer fazer parte de uma nova geração de políticos, herdeira de Sá Carneiro, apresente uma ruptura com o passado. Abra as portas. Este é o seu momento. Receber a herança de Sá Carneiro ou prolongar o caciquismo? A resposta está na sua mão! Espero que tome a melhor opção por si, pelo seu partido e por Viseu.
Um forte abraço, ao meu bom leitor, Guilherme Almeida.

Viseu calling



Olho pela janela. Lá está o nevoeiro cerrado sobre a cidade. Nunca falha!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Todas as gerações são culpadas



Letras simples, irónicas, humoradas, um olhar descomplexado sobre a sociedade, vozes desajeitadas. Podia estar a falar de mim, na parte das vozes, claro! Mas refiro-me aos very british, o sotaque não engana, The Indelicates. Tudo muito indie, tudo muito rock, tudo muito pop.
Seria bom que a Expovis os incluísse numa lista de bandas a visitar a Feira de São Mateus.

Molière no teatro político do PSD



Pum: Um comunicado de candidatura para cada lado.
Pum: Uma proposta de debate sem resposta.*
Pum: Uma campanha, vazia de conteúdo, que dificilmente seria possível num país civilizado.

Estas são as pancadas de Molière no teatro político do PSD  local!


*Caso a proposta ainda seja aceite. O debate provavelmente será realizado, em regime de clausura,  na mesma cave onde guardam o segredo dos pastéis de Belém. Não vá o povo ouvir o que foi dito.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O relógio não pára


O relógio marca a hora, o fim de mandato justifica a necessidade de balanço (exercício longo, excessivamente detalhado, por vezes penoso, adormeci, de tédio, a meio. Da próxima KISS). Bom para quem vive o presente de olhos no passado. Indiferente para quem vive o presente de olhos no futuro. O que aconteceu no passado não se repetirá no futuro.
Tic...Tac...Tic...o tempo continua a passar não há resposta ao desafio. Sinal que nada muda. Afinal, nunca nada muda. Preocupante. Sá Carneiro, sempre, citado fora de contexto dá voltas na campa. Tic...Tac...Tic...Tac... O meu velho amigo Guilherme Almeida bem como a política, a nível concelhio, teriam tanto a ganhar. Imaginem o que um debate aberto, civilizado, frontal, sem necessidade de puxar da espada, sem golpes de rins, faria pela política local? De um lado Guilherme Almeida de uma geração mais nova, com tudo de bom que isso representa, do outro José Moreira com a sua visão política. A assistir comunicação social, militantes, cidadãos anónimos e finalmente Sá Carneiro citado no contexto exacto, no momento exacto. No fim uma vitória para a política local, uma vitória para os candidatos, uma vitória para o PSD, uma vitória para a cidade, o descanso merecido para Sá Carneiro. Tic...Tac...o povo já não perdoa falta de informação Tic...Tac...o relógio não pára!

PS: O PS também terá de pensar em realizar um debate nos mesmos moldes. Parafraseando Junqueiro: "O povo é inteligente e percebe quando lhe querem vender gato por lebre..." 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Do nevoeiro surge Junqueiro



Na concelhia do PS a campanha continua morna, muito morna, extremamente morna... batimento cardíaco fraco, quase sem sinais de vida!
Preocupado...garanto que já estive para enviar o INEM às respectivas sedes de candidatura.
Mas, para alívio dos cultores da democracia. Surge José Junqueiro que, num discurso motivador e aberto à sociedade (aplausos para Junqueiro), encontrou o disfibrilador e em breve voltará o batimento cardíaco. Espero eu, espera o partido, espera Viseu!

A reter: "A intolerância, a agressividade das palavras, a substituição das ideias pela crítica mesquinha, pessoal, a defesa de pequenos poderes, de movimentações para garantir amiguismos ou nepotismos, não serão atitudes ou opções bem acolhidas pela sociedade que tem os olhos postos em nós. Não seria um "novo ciclo!"..."A

Sim caro José Junqueiro, esse novo ciclo será bem-vindo. A abertura, da concelhia, à sociedade será recompensada! 

Em bom português


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A monotonia da concelhia



Os actuais candidatos transformaram a disputa, pelas respectivas concelhias, em longos momentos de bocejo! Alguém ponha música ambiente, este silêncio é ensurdecedor.

SCUT(em)



A Comissão de Utentes anuncia novo buzinão para a próxima sexta-feira.
Eu levanto-me da cadeira e solenemente aplaudo. Sou contra as portagens no interior. Só para o interior? Pergunta o amigo desse lado do ecrã. 
Sim, só para o interior. Passo a explicar o meu ponto de vista.
O conceito das SCUT pressupunha uma compensação relativa aos efeitos da interioridade. As AE, sem custos para o utilizador, eram apresentadas como uma forma de dinamização económica para regiões deprimidas e sistemáticamente esquecidas, tanto pelo poder económico como pelo poder político. Até aqui compreendo e apoio.
No litoral são apenas mais uma benesse, oferecida em tempos de vacas gordas, com propósitos eleitorais.
Apesar de concordar com os seus pontos de vista, creio que, o diligente, Francisco Almeida falha nestes aspectos:

1º: A reacção anti-portagens deveria ter sido levada a cabo, de forma muito mais vigorosa, antes destas serem introduzidas.

2º: A pressão inicial deveria recair sobre os deputados eleitos em distritos servidos pelas ex-SCUT. Mais tarde sobre parlamento.

3º: Buzinões em Viseu não são ouvidos em São Bento.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

José Moreira VS Guilherme Almeida


José Moreira lança o desafio. O PSD local, em suspense, espera resposta. O PS devia seguir o exemplo.

Caro Guilherme Almeida, sim falo directamente para si. 
Caso esteja a ponderar não aceitar o convite, faz mal. Deste lado, só vejo vantagens em avançar. Quer ser um peso pesado no PSD local? Então, tem de defrontar os seus principais adversários na arena política. Num debate de ideias, corpo a corpo, mano a mano, caso goste de estrangeirismos, face to face!
Imagine que a vida política é um combate de boxe e o seu próximo adversário é o simpático José Moreira. Uma vitória seria um feito épico a ser recordado nas nossas memórias. Seria mais importante, para os militantes, do que a vitória de Muhammad Ali sobre George Foreman no Zaire. Neste caso, não seria apenas a sua família a dar-lhe a pancadinha nas costas, a dizer "Muito bem, Guilhermito!", para depois lhe oferecer um copo de leite e o aconchegar nos lençóis, seria toda a militância do PSD. 
Oh meu Deus...imagine a glória, a glória!! Hossanas cantadas em seu nome...a sua história seria contada por gerações vindouras!! Uma estátua ao lado de Viriato, para a eternidade! Seria, para sempre, conhecido como o homem que sem nada a perder foi à luta...
No fim até podia perder o combate. Como em tudo na vida, umas vezes perdemos outras ganhamos. Mas a sua voz, a sua voz ganhava a dignidade política que a tornaria num exemplo de luta e abnegação. Esse seria o seu exemplo para o mundo.
Força Guilherme Almeida. Vá à decathlon, compre uns calções pretos, meias e t-shirt laranja, não esquecer um par de luvas de boxe. Depois, suba para a arena política de queixo levantado. Tem a cidade à sua espera!

Sinais desanimadores



Leio, no sempre atento VSB, que a RTP se prepara para fechar a sua delegação local.
Confirmam-se os meus piores receios. A comunicação social definha e a pouca que sobra raramente cumpre. E o que seria cumprir?
Bom, cumprir seria deixar o poder instituído com urticária à espera da próxima edição. Quem não entende isto, não se deve admirar com os desmandos a que volta e meia assistimos. Quando não há quem ponha em sentido os diversos poderes locais, estes permitem-se a tudo. Se não a tudo, a quase tudo que os limites da sua curta decência impõem. Quem perde é a opinião pública.

De estranhar: Que os agentes políticos, poder e contra-poder, não tomem uma posição unívoca e de combate a este problema. Será que de algum modo esta situação dá jeito a todos?  

PS: Onde ainda existe alguma informação, articulada e válida, sobre o "enclave" viseense?  

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Fim de tarde

No meio da escuridão alguém se destaca


Em tempos de vazio ideológico, falta de ética e pouca mobilização em prol do colectivo, um povo pode ficar às escuras. O dever do seu líder é mobilizar, indicar o rumo, enfrentar a tormenta e encontrar a saída das trevas. É para lá que Viriato aponta, mesmo no meio da escuridão. É bom saber que podemos contar com ele.


Ps: Foto gentilmente "gamada" na Tertúlia de Viriato.

Os governantes locais e o crime



Na imprensa, regional e nacional, Viseu surge ligada a actividades ilícitas.
Lendo as notícias faz-se luz, finalmente tudo faz sentido, percebo a mensagem rapazes: Todos devemos aprender com o mundo do crime!
Os meliantes, tudo gente astuta, com uma inteligência capaz de fazer corar os políticos locais, rapidamente descobriram as vantagens da centralidade de Viseu. Aqui a culpa é nossa. Os criminosos apenas nos vêm lembrar do facto de estarmos perto de inúmeras cidades, do mar, de Espanha e não conseguirmos capitalizar essas vantagens. Pelo menos uma vez, justiça seja feita à criminalidade.

Adenda: Se temos criminalidade organizada, porque não temos vida política organizada?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O 3º candidato às concelhias



Em abono da sanidade, existem situações nas quais o individualismo deve imperar. Ao ler um livro, ver um filme denso, reflectir sobre o que nos preocupa, o facto de estar sozinho facilita a interiorização de tudo o que nos é oferecido.
Também existem inúmeros casos em que tudo é melhor se partilhado a dois. Quem não se sente melhor ao partilhar, com os seus entes queridos, uma mesa de restaurante, uma viagem, um filme cómico, um momento importante da sua vida?
Já nas listas de candidaturas às concelhias locais, tanto com D como sem D, três seria o número certo. 
Calma... Controle-se, tenha calma leitor. Respire fundo e recupere a compostura. Não estou a pensar num ménage entre candidatos. Livra! Não quero deixar a população local às portas da insanidade. A minha ideia é bem mais prosaica, além de que pode e deve ser levada a cabo, pelos candidatos, com a roupa vestida.
Então este terceiro elemento, na relação, para que serve? Pergunta o fiel leitor. 
Servirá essencialmente para quebrar o tango, a dois, que se anuncia e prepara para tornar a actual campanha monótona. Sim, tão monótona como uma corrida de caracóis numa, ventosa, tarde de Outono.
Esta terceira candidatura viria separar as águas e fazer a turba, possuidora de cartão de militante e quotas em dia, pensar um pouco.

Para entrar na contenda, o candidato x, teria de cumprir os seguintes requisitos:

1º: Ser independente de interesses instalados.
2º: Ter vida para além da estrutura partidária.
3º: Comunicar em estilo curto, simples, descomplexado e directo.
4º: Fugir dos lugares comuns e ideias vagas, como o diabo foge da cruz.
5º: Ter uma visão, para a cidade, a médio-longo prazo (5-10 anos).
6º: Não se sentir satisfeito com as migalhas que sobram no fim da refeição.

Esta candidatura podia não vingar, mas as sementes para o futuro estavam lançadas.

José Moreira e a necessidade de renovação



Leio a entrevista de José Moreira ao Jornal do Centro. Verifico que vai de encontro ao que penso, relativamente à necessidade de renovação, dos aparelhos partidários locais.

Frase a reter : "Há muito tempo vira-se a folha e vêm-se os mesmos rostos, vira outra folha e lá estão os mesmos rostos"

 Palavra a reter: " Renovar"

Elementar meu caro Moreira, elementar!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Do tempo das SCUT (Sem Custos)



Com a cobrança de portagens... 20 Km dia fica caro...não sobra dinheiro para romantismos que sucessivamente terminam em nega!

Fim de semana de Carnaval



Nota de culpa: Não gosto do Carnaval.

Percebo o fenómeno no Brasil e em Veneza, a sério que percebo. Já em Portugal não!
Senhores vestidos de senhoras e senhoras com pouca roupa, uns quilinhos a mais, num samba frouxo, nas ruas frias da Mealhada, em pleno inverno. Não é a minha praia, a sério que não.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Política de vinil para uma geração 2.0


Uma tarde de ócio sem me cruzar com política... não é fácil! Não acredita? Então, avanço com a explicação.
Vou até ao café, mais simpático, perto de minha casa e ouço alguém avançar com um definitivo: "Na política é vira o disco e toca o mesmo". De repente os sinos tocam na minha cabeça e eu, que detesto frases definitivas, lanço um olhar. Rapidamente percebo o que me separa do orador. Além das 4 mesas, o que nos separa é o suporte musical.
Deixei o leitor confuso? Então passo a esclarecer. 
O citado cidadão será da geração de 50, logo cresceu a ouvir música em vinil. No seu tempo, a música ouvia-se no lado A e lado B. A política, de então, aproveitou a moda e "virar o disco e tocar o mesmo" passou a ser prática comum, tanto nos discursos como na acção. A minha geração cresceu num mundo em rápida evolução, do CD para o MP3 até ao Itunes. Para mim, a música começa por ouvir um single. Se gosto procuro o resto do álbum, e apenas guardo as músicas que me fazem abanar a cabeça; se não me agrada dou uso à tecla delete, passo para o próximo artista, assunto encerrado. Já a política também passa por uma análise crítica constante, tanto ao que é dito como ao que é feito.
O mundo evoluiu, as novas gerações estão mais atentas. Tal como o vinil, que é uma recordação do passado, procurada apenas por coleccionadores, o caciquismo em breve será artigo para coleccionadores. 
Com as eleições às concelhias, espero que as novas lideranças entendam isso. Infelizmente, até agora os sinais são preocupantes.

Políticas de vinil não seduzem o mundo 2.0.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Boa noite... bom fim de semana

PSA e as dúvidas do PS



Como não poderia deixar de ser lamento o despedimento de 350 colaboradores da PSA.

A seguir a uma pergunta (esta é retórica), aproveito para esclarecer as dúvidas do PS local.

Pergunta: A política de austeridade que condenam não é a mesma, mais virgula menos virgula, que um governo da maioria PS assinou com a troika? 

Esclarecimento aos senhores deputados: Em alguns temas poderiam ser feitos ajustes, é certo. Mas grosso modo o actual governo tenta cumprir, bem ou mal, o que foi assinado pelo punho do último líder do PS. Já os deputados da actual maioria, salvo honrosas excepções, devem andar a fazer, mais virgula menos virgula, o que os deputados da anterior maioria, salvo honrosas excepções, andaram a fazer, nos seus 6 anos de governo. 

Que fique claro: Sem dúvida que saúdo o facto de os deputados questionarem, serem interventivos, serem activos, fiscalizarem os temas do distrito, averiguarem o modo como outros deputados locais desenvolvem a sua actividade, procurarem criar plataformas de entendimento. São todas atitudes louváveis, dignas, responsáveis e que justificam o voto da população. O problema é que só se lembram de o fazer quando são oposição, o que justifica os níveis de abstenção, votos nulos ou brancos.

De qualquer modo, o distrito agradece o vosso empenho!

Falta de união europeia


Atenas sobre brasas e a supressão da democracia na UE, numa Avenida de Berna perto de si.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Não citarás Sá Carneiro em vão!



Sempre que um candidato, do PSD, precisa de se legitimar recorre a Sá Carneiro.
Não acreditam? Leiam Guilherme Almeida que no meio de um discurso, povoado por lugares comuns, generalidades e ideias abstractas, tão típicos nos discursos de apresentação, lá vai ao citador e puxa por um Sá Carneirismo de bolso. Estas citações são problemáticas porquê? Pergunta o amigo leitor.
Estas citações preocupam porque, simplesmente, não colam, o discurso apresentado, à realidade política dos autores ou à ideologia actual do próprio partido. Significando isto que: Ou o corpo da obra política de Sá Carneiro não é conhecido ou é usado sem critério. 
O certo é que, passados 31 anos sobre a morte de Sá Carneiro, alguns políticos não perceberam a sua mensagem. O discurso de Sá Carneiro, fruto da época e do seu intelecto, é essencialmente ideológico. Mesmo nas questões mais triviais impera uma visão ideológica. Existe um fosso, tanto ideológico como de preocupações e motivações, que separa o PSD de então relativamente ao de hoje. Não menos importante, os fundadores do PSD tinham carreiras profissionais, bem sucedidas, que asseguravam o seu prestígio. Esse era o exemplo moral, da geração, de Sá Carneiro!
Ainda hoje, dentro do PSD, muitos militantes poderiam aprender com Sá Carneiro.

O primeiro mandamento seria: Não citarás Sá Carneiro em vão.

A geografia do crime


De facto o mundo é pequeno, muito pequeno. Quando acontece uma tragédia acabamos, inevitavelmente, por conhecer alguém próximo da vítima. Todos os factos, relativos a este triplo homicídio, conduzem-me de novo a Truman Capote.  
A obra " A sangue frio", entre nós editada pela Dom Quixote, é um dos textos mais perturbadores alguma vez escrito, tanto pelo clima de ansiedade, para o qual nos remete, como pela sensação de violência latente. Fruto de 5 anos de investigação, para a revista The New Yorker, tendo sido originalmente publicado nas suas edições, de Setembro e Outubro de 1965. O livro relata, com grande pormenor, os eventos que levaram a uma noite de violência, sem motivação aparente, resultando no homicídio, a tiro de caçadeira, de quatro elementos da família Cutler. A acção decorreu, a 5 de Novembro de 1959, na pequena cidade americana de Holcomb, estado do Kansas. O evento, desde logo, induziu uma disrupção à ordem natural da vida na, até então, calma cidade. A dúvida sobre a autoria dos assassinatos levou a que os vizinhos desconfiassem uns dos outros e a recear pela própria segurança. 
O autor, no livro, começa por apresentar e humanizar todos os participantes do fatídico evento. A família Cutler é nos apresentada como: pessoas honestas, trabalhadoras, com boas relações de vizinhança. Neste momento, o leitor percebe que poderiam ser seus vizinhos, amigos ou até familiares. Também somos transportados para o universo dos homicidas Perry Smith e Dick Hickock, sendo revelado como se conheceram e embarcaram nesta viagem até ao corredor da morte. Smith é apresentado como um jovem sensível, inteligente, fruto de uma família disfuncional, possivelmente esquizofrénico e atormentado pelas memórias da juventude. Dick Hickock é visto como criminoso comum, psicopata, destemido, detendo pouca consciência ou empatia pelo “outro”, com uma obsessão por raparigas jovens. 
Toda a acção relatada, ocorre num espaço temporal que se inicia semanas antes do acontecimento, seguem-se os momentos do homicídio, a detenção dos autores, o julgamento, a apresentação de recursos judiciais, até à execução final em 1965. 
Apesar dos resultados do crime e os seus autores serem indicados no início, o leitor é mantido em estado de alerta, à espera do relato do crime, pois sabemos que algo extremamente violento irá acontecer. As perguntas que surgem, ao longo da obra, são: Porque mataram? E como mataram? O livro, não deixa de lançar uma visão sobre o funcionamento do sistema judicial americano, bem como uma reflexão sobre a aplicação da pena de morte.
Na minha opinião, tendo mente que o livro é uma narração de factos reais, esta é uma abordagem honesta à geografia da crueldade, violência e perversão sexual, inerentes à condição humana. 


Ver texto original publicado na The New Yorker: Parte I; Parte II; Parte III; Parte IV 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Viseu em lume brando



O sabor do poder é doce e tal como o amor é um fogo que arde sem se ver.
Por Viseu começa a formar-se um anel de fogo... as labaredas vão subir...alguém vai sair queimado! Contínuo sem compreender o medo da mudança. No entanto, sei que devemos ter reservas relativamente a quem teme a mudança. 

O culambismo também é problema local

Em época de caça aberta a um lugar na concelhia. Fica um texto, da autoria de Miguel Esteves Cardoso. Dedicado a todos  aqueles, e infelizmente são muitos, que se dedicam a modalidades como o engraxanço e o culambismo:


                                                   
                                        O Engraxanço e o Culambismo Português

 " Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele. Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia. Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc... Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso. Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas.Ninguém gostava de um engraxador. Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo. (...) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês." 
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'


Nota: Um dos nossos grandes atavismos, enquanto sociedade, é que este tipo de actividades estão profundamente enraizadas nos aparelhos e cultura partidária. 
Uma terra, um partido, um cacique! Podia ser o slogan de múltiplas campanhas partidárias, dos anos 80 e 90. Já chega!!
Em ternos locais, é um imperativo categórico que se cortem estas amarras. Como? Esta atitude começa dentro dos partidos, através do apoio a candidaturas que pela sua juventude, cultura intrínseca ou independência, confrontem os partidários do statu quo!! Os partidos são uma parte fundamental da vida democrática ninguém o pode negar. Mas só damos um passo em frente, na nossa cultura política e democrática, se mudarmos de agentes políticos. O paradigma de agente politico em vigor  conduziu-nos até ao actual estado da nação, francamente os resultados não são positivos. A mudança é um bem necessário, espero que não seja um bem escasso no nosso espaço partidário. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Viseu vista da tribuna no dia certo



Hoje celebra-se o dia de S. Valentim. Mas, será Viseu uma cidade romântica?
Não existem respostas definitivas. No entanto ao passear pelas ruas do centro histórico, pelos jardins, ao visitar os museus, ao olhar para os rostos que povoam a cidade parece-me que sim. Tenho a certeza que sim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Travessia de Verão



Um dos autores de referência do século XX é, sem dúvida, Truman Capote (1924-1984). A sua obra prima é " A sangue Frio". Uma obra violenta, escrita num estilo pungente, que inaugura, um novo género literário, o romance não ficção.
"Travessia de Verão" é o primeiro romance escrito pelo autor, embora publicado postumamente. Escrito originalmente em 4 cadernos, num total de 130 páginas, esteve dado como perdido por 40 anos. Felizmente chegou até nós, editado em 2007, pela mão da Dom Quixote. Neste livro de estreia, encontramos um T. Capote à procura do seu registo literário, sem a maturidade apresentada em "A Sangue Frio", mas exprimindo-se numa prosa fluída, lançando um olhar lúcido sobre a sociedade nova-iorquina e uma visão  subtil e irónica sobre as diferenças de classe. Esta obra é o relato de um amor adolescente passado na  Nova York de 1945 (período pós-guerra). O enredo desenvolve-se em torno de Grady Mcneil uma jovem bonita, protestante, de classe alta, sozinha em casa durante o verão, após os pais terem embarcado no navio Queen Mary, com rumo a França. Grady desenvolve uma relação com Clyde Manzer, rapaz judeu, de classe baixa, veterano de guerra que trabalha num parque de estacionamento. Com o evoluir do romance, os dois jovens acabam por se casar numa madrugada em New Jersey. Começam a surgir as diferenças sociais e a história entra numa espiral que nos guia até a tragédia final. Apesar de ser um livro de estreia, são perceptíveis os diversos atributos que irão definir o estilo de Capote, vale a pena adicionar este livro na vossa lista de leituras.

Geração de 80



A geração de 80, sem dogmas, revisita a URSS. Uma geração de olhos postos no futuro sem complexos relativos ao passado.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Falta de financiamento



Sem liquidez será difícil investir, desenvolver ou criar emprego, logo a emigração surge como opção. A emigração é o nosso grilo falante, um eufemismo, que nos vem lembrar, a dura realidade, que falhámos enquanto país. No interior tudo isto é mais evidente, tudo isto é mais triste, mas não tem necessariamente de ser fado. 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Fim de semana no CC



Fim de semana espaços comerciais cheios, fila para estacionamento, senhores de fato domingueiro, senhoras de vestido preparadas para desfilar na passerelle. Dias inteiros passados entre ar-condicionado, luzes, moda, cinema, meninas sorridentes, ofertas de crédito e picanha.

Eu, filho de uma sociedade consumista, me confesso: Ainda não percebi a atracção dos Centros Comerciais!

Telenovela local

Na minha ronda pela blogosfera local, encontro o que me parece ser o enredo de uma telenovela Venezuelana
O leitor, preocupado com o meu bem estar intelectual, pensa: O M. Fernandes não leu, pois não? Não  leitor, eu não consegui resistir, a tentação era grande. Desde já assumo, sem reservas, o meu lado masoquista e, quem sabe tentado pelo diabo, acabei por ler. Tenho, para mim, a ideia que podemos achar a novela Venezuelana um género menor, mas ainda acalento a sincera esperança de encontrar um argumentista brilhante, merecedor de Óscar, a escrever estes guiões. Neste caso, e para minha decepção, apenas achei o texto prolixo, sem acrescentar nada de substancial ao que já foi dito, repleto de lugares comuns, sendo que acabei por adormecer. Aviso desde já que esta novela, sem grande promoção, não vai longe! Os críticos televisivos (esse grupo de pessoas que, sem nada com que se ocupar, perde o seu tempo a criticar tudo) já deram a sua opinião... e não foi favorável! É urgente que o realizador encontre outros argumentistas, sob pena da novela falhar a nomeação para a entrega de emmy´s de 2013. 

PS: A produtora deve estar atenta pois tem  bons argumentistas, estão é subaproveitados.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Debate interno e uma certa visão do "outro"

Relativamente às "primárias" locais, fica o conselho aos responsáveis partidários e candidatos: façam uma breve leitura, ou revisão, aos manuais de ciência política. E porque o devem fazer? Uma resposta simples. Quanto mais cedo perceberem que os adversários não são inimigos e a alternância política, além de saudável, é essencial para o desenvolvimento democrático, mais frutífero será o debate. Com esse tipo de debate o que ganha o  partido? O partido, tem tudo a ganhar se os militantes forem devidamente esclarecidos quanto às opções e acções tomadas. A legitimidade do vencedor, bem como a união interna pós-eleitoral sairão reforçadas. Como isto se reflecte na sociedade civil ou no "não militante"? Do ponto de vista do cidadão, esta atitude facilita o acompanhamento e interpretação das eleições internas. Num processo tantas vezes obscuro, transparência precisa-se!No plano eleitoral, esta visão reforça os canais de comunicação com a sociedade aproximando os partidos aos eleitores, tornando mais simples e informada a decisão na hora do voto. Se não percebem isto, não percebem o essencial: A Democracia!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

As concelhias mexem!!



Um fim de dia com duas notas positivas:

1ª: No PS sem D (os chamados socialistas), a geração de 80 dá sinais de vida, espero que Filipe Nunes abra uma nova página. O discurso foi uma boa surpresa.

2ª: No PS com D (os chamados sociais democratas), depois de iniciar um trabalho que promete revitalizar a Expovis, José Moreira apresenta a sua disponibilidade para o debate. O seu nome e obra falam por si.

A reter: Ambas as candidaturas foram apresentadas pela positiva, parecem garantir qualidade e honestidade intelectual ao debate.

PS (o chamado post-scriptum): Sendo expectável que apareçam mais candidaturas, vamos esperar, que as máquinas comecem a mexer-se, para ver que caminhos serão trilhados!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Viseu 2013 e a herança de Ruas




Sou a favor da limitação de mandatos, se o autarca, ao fim de alguns anos, tem dificuldade em encontrar a porta de saída o legislador terá de o auxiliar. Do meu cadeirão, acredito que dois mandatos são suficientes, mas sendo a cadeira do poder mais confortável, se forem três não levantarei objecções.
Agora, vergonhosa é a ideia de que a autarcas em término de funções num concelho, seja permitida a candidatura à presidência de municípios vizinhos. Infelizmente, na vida política, todos sabemos, a vergonha costuma ser deixada na entrada, junto ao chapeleiro escondido atrás da porta.
Chega de conversa fiada. Vamos ao que interessa, o leitor está preparado?
No próximo ano para desgosto de muitas famílias e alegria de outras tantas, termina a dinastia Ruas que, após seis (6 leu bem, mas eu soletro S-E-I-S) longos mandatos, é obrigado a sair por uma questão legal (a tal limitação de mandatos). Na minha opinião, Ruas (a.k.a. Streets caso o leitor esteja em terras de sua majestade) é um homem que gosta da sua terra. Acertou algumas apostas, falhou redondamente outras. Com isso a cidade por vezes ganhou, enchendo-nos de orgulho, outras perdeu, deixando-nos de ombros encolhidos e rosto corado de vergonha. Para a posteridade fica o facto de que, nas urnas (urnas de voto, claro), o “Mayor” Ruas ganhou sempre, algumas vitórias foram por knockout ao primeiro round, tanto por mérito próprio como por falta de comparência de uma oposição forte, séria e combativa. Da mesma forma que “secou” a oposição “secou” o seu partido, trouxe Viseu até aqui e a leitura do seu testamento político tem dia marcado. A legislatura Ruas, com tudo de positivo e negativo que encerra, merece mais do que  duas linhas, merece uma análise profunda que a seu tempo deverá ser feita. Entretanto, alguns herdeiros já se perfilam, outros esperam melhor oportunidade. Resta esperar que o voto (sorte grande) saia ao candidato melhor preparado e com o sentido de serviço público mais apurado. 
E o que devemos exigir ao herdeiro? As minhas recomendações são simples, ao candidato pede-se: honestidade intelectual; honradez pessoal; profundo conhecimento da realidade local; discurso directo e claro; autonomia, relativamente ao seu partido; intransigência na defesa dos direitos da cidade; aposta numa cultura de meritócracia. O seu programa deverá ser curto, simples e integrado (sem ideias avulsas), contemplando entre outros aspectos: atracção de investimento (emprego precisa-se); dinamização do centro histórico (ponto obrigatório e multidisciplinar); Feira de São Mateus como agente económico e cultural da região; solidariedade social; posicionamento de Viseu a nível nacional (Viseu como sinónimo de qualidade); aumento da oferta cultural (indoor e outdoor ao longo do ano); criação de novos espaços verdes (rotundas não contam); aposta no desporto amador e escolar; Viseu como destino turístico para todas as idades e todos os bolsos.
ATENÇÃO LEITOR, alturas de indefinição, por norma, atraem ratos com vontade de roer a rolha da garrafa do rei Ruas, o seu voto deve ser ponderado.

Última nota para os média: No acompanhamento do acto eleitoral pede-se, independência, preparação, pensamento analítico, espírito crítico, capacidade de investigação, coragem para fazer as perguntas certas na hora certa. No fundo, que desempenhem a sua profissão sem contemplações ou silêncios comprometedores. 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Domingo visto do meu púlpito



Domingo, dia de igrejas cheias e devotos em celebração. Viseu, cidade antiga, morada de uma grande variedade de templos que, pela sua beleza e história, merecem uma visita atenta e prolongada. Sim, para quem não conhece os espaços religiosos da cidade, mesmo não possuindo um espírito dotado de fé, uma visita justifica-se. Os templos religiosos retratam uma boa parte da nossa história, da evolução do espaço público, contêm uma parte importante da nossa museologia, mitologia e são parte integrante da nossa cultura como povo. Não sendo crente, procuro visitar e conhecer as nossas igrejas, quanto à evangelização prefiro outras formas. Apresento Nick Cave, cantor e escritor com uma educação de base literária (proprietário de uma boa biblioteca), que não acredita num Deus pessoal ou intervencionista, mas inspirado nas escrituras sagradas, nas suas letras aborda temas como pecado, morte, vingança (olho por olho, dente por dente), justiça, redenção, salvação, fé e em algumas passagens, podemos ter, uma visão do inferno. A prova que velho e novo testamento podem ser misturados com Rock e Blues está em Nick Cave.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A ética de Hélder Amaral



O deputado Hélder Amaral, ao levantar objecções ao projecto de reorganização da estrutura judiciária, proposto pelo governo, do qual o seu partido faz parte, lembra aos restantes deputados, que a sua legitimidade política assenta em primeiro plano nos votos que os cidadãos, de Viseu, lhe atribuíram, conferindo-lhe o direito de os representar na Assembleia da República. Apenas num segundo plano se podem levantar questões de solidariedade, ou obediência ao partido e sua liderança parlamentar. Cumprir, relativamente a quem os elegeu, além de ser uma óbvia questão de ética política, é uma questão de honra pessoal. Espero que o exemplo faça escola e os nossos deputados ultrapassem a fase de agradar ao líder partidário, para se centrarem nos problemas dos seus eleitores. Isto é o que nos dita o bom senso.

Serviço público... poupe na TDT

Uma boa forma de poupar.

Viseu a revolução chega de comboio


Verão de 2011, entro numa livraria da capital, e reencontro-me com Viseu. Não, não pense que ensandeci de vez, ou, em alternativa, consumi alguma substância ilegal. Tenha calma, que eu sou um tipo respeitador das leis da república. Refiro-me ao livro "Viseu Roteiros Republicanos", da autoria de António Rafael Amaro e  Jorge de Meneses Marques, editado pela Quidnnovi em 2010, no âmbito das comemorações do centenário da república. 
Porque vale a pena ter este livro em conta? Poderia enunciar inúmeros motivos, mas vamos ao essencial: em primeiro lugar, não abundam no mercado obras, honestas e de qualidade, sobre a nossa cidade e região; em segundo lugar, somos brindados com várias ilustrações desde mapas da cidade (do tempo em que existia um quartel de artilharia bem no coração da cidade), abundantes fotografias de época, capas e recortes de jornais (que já só existem na cabeça dos seus avós) que, só por si, valem o preço do livro; por último, é um trabalho bastante completo e de fácil leitura, não se torna aborrecido até para as almas mais inquietas, não sendo muito dispendioso, numa altura de carteiras vazias.
E o que podemos esperar ao folhear a obra? Ao leitor, é apresentado um corte transversal da sociedade da época. Os autores, começam por uma caracterização económica e social, onde são apresentadas dinâmicas populacionais (1864 - 1940) e de emigração (1890 - 1939). Depois, levam-nos numa viagem pela criação da Região Demarcada Dos Vinhos Dão, apresentam biografias de figuras da elite local e o seu pensamento político (algumas dessas cabeças fazem falta), relatam o florescimento de jornais locais, analisam eleições e movimentos políticos, não sendo esquecida a restauração da monarquia em Viseu, no ano de 1919. Mais para o fim, está reservado um reconhecimento dos espaços públicos e toponímia republicana. Se é adepto dos rigores da forma física, a boa notícia é que, a obra, também retrata o desporto e os seus espaços. Para os saudosistas, do comboio, são apresentados projectos, alguns concretizados outros que não chegaram a ver a luz do dia, relativos à ferrovia local. Estamos perante um  relato sobre grandes homens, que viveram, uma época, feita à medida, de grandes políticos. 
A minha, última nota vai para o facto de as notícias poderem chegar mais rápido, se vierem de comboio. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Considerações críticas

                                  (origem da imagem: Viseu, Senhora da Beira)

Tenho por hábito navegar pela blogosfera local. Ao ver a imagem acima, de imediato, uma série de dúvidas se levantaram no meu horizonte. Passo a partilhar os meus pensamentos com o companheiro de viagem... que é o leitor claro.
Quando um político se dispõe a ser sufragado, deve honrar o voto recebido? Sim. Ao votar o eleitor está a estabelecer uma relação de confiança com o candidato, elegendo-o como seu legítimo representante. Assumir e cumprir o mandato é um imperativo de ordem ética e moral, tão elementar que não é necessário ter  Olho de Gato para o perceber. 
E se depois de eleito começa a debandada, para lugares mais apetecíveis, sendo substituído por quem nunca imaginou ser eleito e em quem o próprio eleitor não votaria? No plano político, esta é uma situação em que os laços de confiança depositados são quebrados, em consequência disso, o valor do voto é desrespeitado, o papel dos políticos sai diminuído e a essência da democracia é posta em causa. No plano pessoal, quem o faz, demonstra uma falta de integridade inadmissível que não devia ser permitida a um representante popular.
E caso esses políticos se voltem a candidatar? O que fazer? Em primeiro lugar, isso não deve acontecer porque, o responsável pelas nomeações, dentro de um partido, deve riscar esses políticos da sua lista. Em segundo lugar, caso a falta de vergonha e ética nesse partido sejam norma, o eleitor deve abster-se de votar em candidatos com tamanha falta de princípios.
Alguma ideia radical? Bem... poderíamos pôr-lhes umas orelhas de burro e sentar esses representantes a um canto da sala, de modo a castigar as criaturas. Como infelizmente, nesta época, o recato e a vergonha não abundam, proponho que em futuras ocasiões, caso se voltem a apresentar a eleições, a "mug shot" de candidatura seja, mais ao estilo sul-americano, algo deste género:

                                                    (General Manuel Noriega)


PS: Aplica-se a TODOS os partidos e TODOS os políticos que não respeitam os votos que lhes são confiados. 

Fora de Viseu também há vida


Como vão as primárias republicanas? Saberão os candidatos jogar xadrez? O que aconteceu na Florida? 
Se ficou curioso, visite-me numa Avenida de Berna perto de si.